Mini-Fanfic: "Perigosa Obsessão" (+18)
Mini-Fic com 20 capítulos.
Sinopse
Therese Brown é uma misteriosa advogada de 27 anos que guarda
obscuros segredos do passado. Ao ser designada para solucionar um caso
para uma importante empresa publicitária, ela conhece o também advogado
Michael Jackson, um homem competente, rígido e perspicaz, pelo qual ela
prontamente se sente atraída.
Enquanto trabalham lado a lado na tentativa de fechar um acordo entre
os seus clientes, conquistar Michael torna-se para Therese uma
prioridade; e ela não mede esforços para alcançar o objetivo de tê-lo ao
seu lado. Sem conhecer a mente doentia escondida por trás dos delicados
traços daquela bela e sedutora mulher, Michael é envolvido em um
arriscado e excitante jogo amoroso, onde o perigo é iminente e o prazer é
ilimitado.
Autora: Nai Jackson
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Capítulo 2
Certo, Michael Jackson havia se mostrado muito mais firme do que pensei que se portaria. Um acordo era a melhor saída; economizaria tempo, trabalho e grana, por isso eu não conseguia entender por qual motivo ele insistia em abrir um processo que poderia se arrastar lentamente ao longo dos anos.
Mas a questão central após conhecê-lo passou a ser: Dane-se essa merda de acordo! Ele era o homem mais bonito e excitante que eu já vira na vida... Poderíamos fazer muita, muita coisa juntos. Ele tinha um sorriso sínico que estampado no seu rosto tomara um ar extremamente sexy e atraente. Era um tipo de cara raro de se encontrar e, definitivamente, eu não o deixaria escapar de mim tão fácil. Aquele ali seria meu... E isso era uma meta a ser alcançada em breve, não apenas um vago pensamento.
O nosso segundo encontro foi marcado para dois dias após a nossa primeira reunião. Eu mesma havia escolhido o local; um refinado bar com músicas de bom gosto, onde poderíamos conversar com absoluta privacidade. Quando cheguei ao bar, ele já estava sentado na mesa mais afastada esperando por mim, girando vagarosamente entre os dedos um copo preenchido com uma boa dose de whisky sem gelo.
- Dessa vez foram cinco minutos de atraso – ele disse com um pequeno sorriso quando me viu parar diante da mesa. – Você nunca consegue ser pontual?
Puxei a cadeira para me sentar e o observei com atenção. Diferentemente da primeira vez que nos vimos, ele estava vestido com uma grossa camisa vermelha de botões, uma calça preta vincada, mocassins e chapéu fedora da mesma cor. Bem mais informal e à vontade, mas tão lindo e irresistível quanto antes.
- Gosto da forma como você se veste – murmurei descendo os olhos pelo seu pescoço, sentando-me em frente a ele. – E cinco minutos não são nada. Ganharemos muito tempo depois... Garanto a você.
Ele sorriu e fez um sinal para o garçom.
- O que você bebe, Therese?
- Um Dry Martini, por favor – respondi repousando a bolsa na mesa.
Michael fez o meu pedido para o garçom e também pediu mais uma dose de whisky para si. Virou a última dose do seu copo e me fitou com firmeza.
- Conversei com o meu cliente sobre um possível acordo... – ele começou a dizer para mim.
- E o que ele disse?
Michael juntou as mãos.
- Ele disse que poderá pensar nessa possibilidade... se a empresa em questão oferecer para ele uma boa quantia em dinheiro para ressarci-lo por todo o desgaste emocional que ele sofreu durante as últimas semanas.
- O seu cliente é um oportunista cara de pau – afirmei para ele sem me exaltar dessa vez. – Você é um advogado sério... Por que está defendendo aquele filho da mãe?
- Ele tem dinheiro suficiente para pagar os meus caros honorários, portanto, estou comprometido a fazer o que seja melhor para ele.
- Já que ele está disposto a negociar, veremos uma quantia justa para encerrar esse caso de uma vez – respondi com determinação. – Dessa forma todos irão ficar felizes e satisfeitos com o nosso trabalho.
Michael inclinou-se um pouco sobre a mesa e arqueou as sobrancelhas.
- Tem certeza de que quer mesmo falar sobre essa droga de acordo?
Balancei a cabeça negativamente.
- Não.
Ele sorriu.
- Assim como imaginei. – Desceu os olhos até a provocativa fenda lateral do meu vestido azul-escuro. – Seja sincera... Esse não é um encontro profissional, certo?
Cruzei as pernas e sorri satisfeita. Ele era tão rápido e esperto quanto eu imaginara.
- Por que não seria? – perguntei fazendo-me de desentendida.
Michael colocou uma das enormes mãos em um dos meus joelhos e seus longos dedos começaram a acariciar a minha pele, riscando delicados círculos com a ponta das unhas.
- Você parece ser o tipo de mulher que sabe bem o que quer, Therese. – Aproximou-se mais um pouco. – E sei que você quer a mim. Estou enganado?
Meus lábios se retraíram em um sorriso.
- Você está sendo muito convencido... – eu disse e levantei as sobrancelhas. - Admiro essa qualidade.
- Tenho muitas outras que você ainda não conhece... – murmurou levantando os dedos até passá-los por cima da minha coxa. – Mas não se preocupe, farei questão de apresentá-la todas elas.
Sua firmeza e determinação fizeram o meu corpo inteiro se arrepiar.
- Você é um homem muito interessante... – eu disse, passando levemente a ponta das minhas unhas pelo seu dedo anelar da mão direita repousada em cima da mesa. – Pelo que estou vendo aqui, você ainda não se uniu em matrimônio, o que muito me agrada. – O garçom trouxe nossas bebidas e tomei o primeiro gole do Dry Martini. - Já sei que você não é casado, então, por que não me fala mais um pouco sobre a sua vida e me deixa descobrir mais um pouco?
Ele tomou um gole da sua bebida e continuou a me observar, parecendo refletir sobre algo.
- Vamos... – incentivei. - Permita que eu o conheça melhor.
Michael tirou a mão devagar da minha perna e ajeitou o chapéu.
- O que posso dizer? Eu advogo a pouco mais de dez anos... Sou o único dono do meu escritório... Moro sozinho em um confortável apartamento do outro lado da cidade... – Tomou mais um gole de whisky. - E tenho uma grande queda por loiras – concluiu com um sorriso pervertido nos lábios, observando a cor dos meus cabelos. – E você, Therese, o que tem a me dizer?
- Hm... Comecei a trabalhar há pouco mais de três anos... Gosto muito da minha profissão... Odeio falar sobre a minha vida... E adoraria conhecer o seu apartamento – murmurei tranquilamente, passando minhas pernas por entre as suas debaixo da mesa. – Vai me levar até ele... Ou prefere continuar a perder tempo?
- Gosto de mulheres diretas como você – ele respondeu quase me devorando com os olhos. – Termine logo a sua bebida e me acompanhe até carro – instruiu levantando-se, com os lábios retraídos em um sorriso satisfeito.
Capítulo 3
Eu e Michael permanecemos em silêncio a maior parte do caminho até o seu apartamento. Quando chegamos lá, ele guiou-me para dentro e acendeu as luzes da sala decorada com requinte e elegância.
- É um belo lugar para se morar – eu disse, observando o local com atenção. Coloquei a bolsa em cima do sofá e olhei para Michael. – Irá me oferecer uma bebida?
Ele sorriu e aproximou-se de mim, passando os longos dedos pelo meu queixo sem o mínimo de cautela.
- Não, Therese – murmurou, apertando os meus seios por cima do vestido em suas mãos. – Sei que nenhum de nós dois está a fim de perder tempo com enrolações desnecessárias.
Um sorriso formou-se no canto dos meus lábios e eu aproximei nossos rostos, entrelaçando as duas mãos em torno do seu pescoço. Seus lábios famintos chocaram-se contra os meus e sua língua abriu passagem para explorar milimetricamente cada canto da minha boca enquanto suas mãos começavam a se mover pela minha bunda.
Maldição, como ele beijava bem! Senti a minha calcinha se umedecer no mesmo instante e o empurrei para o sofá, pondo-me de joelhos em frente à suas pernas abertas.
- Vamos ver o que temos aqui, Jackson... – eu disse com expectativa, passando as mãos por sua ereção por cima da calça enquanto ele se livrava da própria camisa.
Michael observou-me com atenção, fitando-me com o olhar mais safado que eu já havia visto na vida. Abri o zíper devagar e abaixei a cueca boxer preta, libertando o seu membro e permitindo que ele se estendesse vagarosamente diante dos meus olhos.
- Aprova, senhorita Brown? – Michael perguntou encarando-me com um sorriso pervertido.
Mordi os lábios e levantei as sobrancelhas, boquiaberta e satisfeita ao mesmo tempo. Engoli em seco e senti minha intimidade se contorcer instintivamente contra o tecido da calcinha. Eu nunca tinha visto um pênis tão grande e tão convidativo na vida. Além de ser enorme, ele estava com a glande completamente molhada pelo líquido incolor que escapava em abundância por ali, escorrendo pela sua extensão e molhando as veias alteradas que pulsavam pelas bordas. Levei uma das mãos até ele para suprir a necessidade de explorá-lo, expondo a glande por completo, e Michael puxou o ar com dificuldade entre os dentes, jogando a cabeça levemente para trás em sinal de aprovação.
- Minha nossa, você foi muito abençoado pela natureza – comentei sem disfarçar a minha satisfação, descendo a calça por completo e começando a masturbá-lo. Olhei no fundo dos seus olhos e dei uma demorada lambida na glande. – Hmm... Parece ser uma delícia.
O seu membro pulsou entre os meus dedos e Michael colocou as mãos nos meus cabelos, guiando-me para baixo.
- Então prove-o, baby – sussurrou, e deu um longo gemido quando eu obedeci, colocando a metade do seu membro na minha boca.
Passei a língua por toda a extensão do seu pênis e suguei apenas a ponta dele, esfregando-o na parte interna da minha bochecha. Michael apertou os olhos e eu o senti estremecer, entrando e saindo por entre meus lábios tão duro quanto o fragmento de uma rocha. Pela expressão de prazer nos seus olhos e pelos gemidos cada vez mais altos que saiam da sua boca pude perceber que ele estava adorando. Forcei o membro para dentro o máximo que pude e Michael começou a empurrar o quadril rapidamente para frente, fazendo-o deslizar pela língua até próximo à entrada da garganta.
– Oh merda... Foder a sua boca é uma delícia – ele gemeu, mordendo o lábio inferior com força e empurrando-me apressadamente para o seu lugar. - Eu adoraria gozar dentro dela, mas prefiro que isso aconteça quando eu estiver metendo tudo isso dentro de você.
- Estou ansiosa para isso... – sussurrei, enquanto ele se livrava do meu vestido e dos nossos sapatos, acomodando-se por cima de mim. – Veja como você me deixou – eu disse para ele, afastando as pernas e passando os dedos pelo tecido encharcado da pequena calcinha.
Seus olhos faiscaram de desejo e ele passou a língua por cima do tecido vermelho, olhando-me firme nos olhos, fazendo a minha excitação triplicar no mesmo instante. Subiu mais um pouco e passou a boca pela minha barriga, contornando o umbigo com a língua, desenhando um caminho horizontal até chegar aos meus seios, onde distribuiu uma sequência de leves mordidas e beijos molhados. Corri as unhas pelas costas e ele começou a chupar e a sugar os mamilos com força, fazendo alguns gemidos escaparem pelos meus lábios.
O meu corpo tensionado sentia que eu poderia alcançar o orgasmo a qualquer instante, antes mesmo da penetração. As mãos de Michael encontraram a minha calcinha e ele a retirou, levando dois dedos até a minha intimidade e esfregando-os em pequenos círculos por cima dos clitóris. Quando percebeu que eu já estava completamente pronta para recebê-lo, prendeu os meus lábios entre os dentes e esfregou a cabeça rosada do membro pela minha entrada, forçando-a até que ela começasse a escorregar para dentro de mim.
- Maldição... Isso é muito gostoso – gemi quando ele me invadiu, sugando forte o seu lábio inferior.
- Você é tão apertada, Tess... – ele rosnou, enfiando o rosto no meu pescoço. – Deixe-me fodê-la até o fundo... – gemeu e começou a empurrar o quadril para frente, alcançando-me tão longe quanto poderia.
Tê-lo me preenchendo por completo era uma das melhores coisas que eu já havia sentido na vida e eu estava quase gozando com as suas investidas cada vez mais ritmadas. O orgasmo tão próximo era uma necessidade, uma súplica, um desespero tão grande que chegava a doer. Soltei um alto grito e me agarrei a Michael com as unhas, descendo-as com força pela sua pele clara até ver uma gota de sangue escorrer pelas suas costas. Meu corpo inteiro tremeu e minha intimidade apertou Michael dentro de mim, molhando-se completamente com os jatos quentes que escapavam deliciosamente pelo seu membro pulsante.
Aproximei a boca de Michael da minha e ele me beijou intensamente, retirando-se devagar de dentro de mim. Tentei regular a minha respiração e apoiei a cabeça em uma das almofadas do sofá, observando o suor que escorria da testa de Michael.
- Eu não imaginei que você tinha algo tão grande e tão gostoso no meio das pernas – eu disse para ele com um pequeno sorriso. Observei as suas costas e limpei com o polegar o filete de sangue que escorria pela enorme marca vermelha feita pelas minhas unhas que descia do pescoço até perto do quadril. – Que droga... Eu te machuquei.
Ele me beijou e balançou a cabeça negativamente.
- Não foi nada. Vamos para o quarto, devemos continuar de onde paramos.
Eu sorri para ele e assenti satisfeita.
- É um convite muito interessante.
Ele levantou-se e me puxou para os seus braços, com o membro tão ereto quanto antes mesmo após o orgasmo.
- Isso não é um convite, Therese – murmurou com as sobrancelhas arqueadas, enquanto me apertava forte em seus braços. Sorriu e fez um pequeno gesto com a cabeça enquanto completava: - É uma ordem.
Capítulo 4
O espaçoso quarto de Michael era quase todo decorado em preto, cinza e branco. Ele me beijou quando atravessamos a porta e levou-me em direção à enorme cama, empurrando-me demoradamente para trás até que as minhas costas repousassem sobre o colchão. Seus olhos tão negros e tão expressivos estavam fixos em mim, analisando o meu rosto com atenção, parecendo revirar a minha alma a procura de algo.
- Há algo de errado comigo? – questionei para ele, apoiando a cabeça em um dos travesseiros.
Michael fez um sinal negativo com a cabeça e levou as mãos aos meus seios, desenhando círculos pacientemente em volta dos mamilos rosados.
- Vendo você assim, Therese, nua em cima da minha cama, você parece tão delicada... Tão indefesa – ele disse calmamente. – Se eu já não a conhecesse o suficientemente bem, iria achar que você é uma daquelas mulheres frágeis que adoram filmes de romance e colecionam papel de carta.
Eu gargalhei.
- Delicada, eu? – perguntei sem conseguir deixar de rir pela sua interpretação. - O que te faz pensar assim?
Ele passou as mãos pela minha barriga, acariciando devagar a pele macia.
- Você tem uma aparência bastante vulnerável.
– Para ser franca, Michael, eu jamais enxerguei o lado lírico e romântico da vida. Essas bobagens tediosas não fazem o meu estilo.
Ele parecia cada vez mais interessado no rumo da conversa.
- Tenho que lhe perguntar algo. Mas não ache que é uma curiosidade sem sentido, apesar de esse assunto fugir completamente do nosso contexto.
- Okay. Pergunte.
- Você já se apaixonou por alguém?
- O que isso tem a ver? – perguntei entrelaçando as nossas pernas.
- Não sei ao certo. Você demonstra ser tão centrada e metódica. Não deve se apaixonar com facilidade.
Refleti por alguns instantes.
- Essa noção poética de amor e paixão é uma das coisas mais idiotas que já inventaram – respondi simplesmente. – Só os fracos se apaixonam.
Michael absorveu minhas palavras e um vinco se formou em sua testa.
- Você pensa diferente da maioria das mulheres. Esse seu frio ponto de vista quer dizer que você tem um coração de pedra?
Inclinei-me para frente e o beijei.
- Não. Ele quer dizer que talvez eu nem tenha um coração. – Afastei as pernas e passei os dedos pela parte interna das minhas coxas: - Mas para quê se preocupar com o meu coração enquanto eu tenho algo muito mais interessante bem aqui esperando por você?
Ele mordeu o lábio e inclinou-se na direção do meu corpo.
- Diga-me como você quer que seja.
Coloquei os meus cabelos em suas mãos e olhei nos seus olhos.
- Segure-me por aqui e puxe o mais firme que puder – pedi, passando os lábios pelo seu pescoço. – Eu quero sentir você me fodendo tão forte quanto acabou de fazer naquele sofá. Isso, sim, faz o meu estilo.
O seu membro latejou e ele cheirou os meus cabelos.
- Eu também desejo isso – murmurou ao meu ouvido. – Vou fodê-la tão duro que certamente você ficará sem voz por alguns minutos. – Empurrou-me novamente contra o travesseiro. - Mas não vamos apressar as coisas. Quero conhecê-la de todas as maneiras possíveis. Talvez isso me ajude a desvendá-la.
- Eu sou um enigma para você, Michael?
Ele balançou a cabeça positivamente.
- É. Mas não se preocupe, baby. Eu logo saberei o que você esconde de mim.
- Gostaria de ler os meus pensamentos? – perguntei.
- Eu adoraria.
Passei os dedos pelo seu queixo.
- Posso dizer em voz alta para você o que a minha mente erótica está pensando nesse exato momento.
Ele sorriu.
- Sinta-se à vontade.
- Estou pensando no quanto os seus lábios são apetitosos, bonitos e bem desenhados.
- Eles também são bastante habilidosos – ele disse e desceu a boca pela minha barriga, fazendo todo o meu corpo se arrepiar. Acomodou-se lentamente no o meio das minhas pernas e esfregou os lábios pelo meu clitóris. Eu estremeci abaixo do seu corpo e ele sorriu. – Está vendo? Eu mal comecei e você já está de contorcendo.
- God... Isso é muito bom... – eu disse apertando os olhos, mordendo o canto dos lábios. – Vamos, Jackson, continue.
Michael separou os grandes lábios com os dedos e passou a língua sobre eles, sugando o clitóris e massageando a minha entrada com a ponta das unhas. Penetrou-me com três dedos e começou a movê-los pela parede interna da vagina, riscando círculos completos bem lá no fundo.
Agarrei a cabeceira, sem conseguir conter os gemidos cada vez mais altos e enfiei as unhas nos cabelos de Michael quando comecei a atingir o orgasmo. Relaxei um pouco mais as pernas e enfiei as unhas nos cabelos de Michael, gemendo quase sem voz o seu nome. Finquei os dentes nos lábio inferior para conseguir sufocar um grito e meu corpo inteiro começou a vibrar por dentro. Minha intimidade retesou na boca de Michael e eu levantei a cabeça a procura de ar, com os cabelos loiros bem mais bagunçados do que o habitual.
- Você sempre tem que ver sangue quando chega ao orgasmo? – Michael perguntou com um sorriso divertido nos lábios, saindo do meio das minhas pernas e inclinando-se sobre mim.
- Claro que não – respondi mais rápido do que o necessário. – Qual o motivo da pergunta?
Ele apontou para a minha boca, colocando-se de joelhos na cama. Passei dois dedos por cima dos lábios e senti uma leve ardência no local onde eu havia prendido os dentes.
- Merda – praguejei, passando o pulso pela boca. – Saiba que a culpa foi toda sua.
- Minha? – ele perguntou com um sorriso baixo, virando-me de bruços e puxando-me para trás até que eu me posicionasse de quatro.
- Toda sua – repeti, enquanto ele passava o membro duro pelas minhas nádegas. – Você está me fazendo gozar tão gostoso! Maldição, você é muito bom no que faz.
Michael abriu um sorriso pervertido e levou os dedos até as minhas pernas, abrindo-as um pouco mais. Passou as mãos pelos meus ombros e agarrou os meus cabelos com firmeza, puxando-os para trás até que um alto gemido escapasse da minha garganta.
- Gostaria de apanhar um pouco, Therese? – perguntou com a boca no meu ouvido, passando uma das enormes mãos pela minha bunda.
Apertei o travesseiro com os dedos e senti o meu clitóris tremer. Definitivamente, eu odiava ficar tão submissa ao ponto de deixar um homem comandar tanto a situação. Mas com Michael, estava sendo completamente diferente. Eu estava adorando tê-lo no controle, por mais que detestasse admitir isso para mim mesma.
- Só de você – eu disse quase sem voz, sentindo que ficaria maluca se não sentisse de uma vez por todas o peso das suas mãos. – Bate, Michael.
Ele colocou a cabeça do seu membro na minha entrada e me deu uma mordida nas costas, deixando a marca arredondada dos seus dentes na minha pele. Segurou os meus cabelos com força e levantou uma das mãos, soltando-a com firmeza enquanto começava a se empurrar para dentro de mim. Um alto barulho estralado ecoou pelas paredes do quarto e apertei os olhos, implorando que ele batesse mais vezes e fosse mais rápido.
O atrito da mão de Michael contra a minha pele ardia, doía tanto que o meu sangue parecia vibrar dentro das veias em torno das minhas nádegas. Mas quanto mais ele batia, mais tesão eu sentia e, consequentemente, mais prazer ele me proporcionava.
Michael jogou a cabeça para trás e puxou o ar pelos dentes, empurrando o quadril para frente enquanto os nossos corpos se chocavam um contra o outro. Gemíamos tanto e tão alto que provavelmente os vizinhos dos andares de cima e de baixo iriam conseguir ouvir a nossa voz, a menos que o apartamento tivesse um ótimo revestimento especial para fazer o bloqueio sonoro. Quando o orgasmo nos atingiu, intensificamos ainda mais os movimentos e os gemidos tornaram-se ainda mais altos, enquanto nossos corpos suados e ofegantes desfrutavam daquele delicioso momento em completa sintonia.
Após terminarmos, tomei um banho enquanto Michael bebia uma taça de vinho na sala e, por conta do horário tão avançado, ele não me deixou ir embora. Dormimos juntos na sua cama, com mãos e pernas imprudentemente entrelaçadas, na primeira vez que eu me permiti passar uma noite inteira ao lado de um homem.
Capítulo 5
Quando acordei na manhã seguinte Michael ainda estava dormindo tranquilamente ao meu lado. Olhei a hora no relógio, saltei da cama com cuidado para não acordá-lo e segui para o banheiro. Arrumei os cabelos em um desajeitado rabo de cavalo, lavei o rosto, e na falta da minha escova de dentes acabei usando a de Michael. Voltei para o quarto e comecei a procurar as minhas roupas, mas logo lembrei que elas estavam jogadas por algum lugar no chão da sala. Abri o armário de Michael, retirei de dentro dela uma fina camisa branca de botões e a vesti sem usar calcinha por baixo. Segui para a cozinha e abri a geladeira à procura de algo para o café da manhã, afinal de contas, após uma noite tão cheia de sexo eu estava morrendo de fome.
- Bom dia, Therese – ouvi a voz de Michael dizer na porta da cozinha alguns minutos depois. Ele estava muito sexy... Enrolado em um roupão preto, com os cabelos molhados ondulados na altura dos ombros. – Eu não sabia que você ainda estava aqui.
- Estava fazendo omelete – eu disse para ele, apontando para a frigideira recém saída do fogão. – E eu não iria embora sem antes me despedir de você.
Ele aproximou-se da mesa e puxou uma cadeira para se sentar.
- O aroma está muito bom – murmurou quando estiquei um prato para ele. Analisou-me com atenção e pegou um garfo. – Pelo que vejo, você andou mexendo nas minhas roupas.
Desci os olhos até a camisa branca e também me sentei.
- Eu ainda preciso procurar o meu vestido e não queria ficar circulando nua pela casa – expliquei. – Espero que você não se importe.
Michael balançou a cabeça negativamente e deu uma garfada na omelete, levando-a até a boca.
- Não há problema. A minha camisa ficou ótima em você.
Abandonei a omelete no meu prato sem nem tocá-la direito e levantei-me novamente, dando a volta na mesa e sentando-me com as pernas abertas no colo de Michael, virada para ele.
- O melhor de tudo, baby, é que não estou usando nada por baixo dela.
- Essa é uma ótima forma de começar o dia – ele disse passando as mãos nos meus seios por baixo da camisa.
Michael me beijou e abri o seu roupão.
Mordi o seu lábio e peguei o seu membro já ereto entre as mãos. Posicionei-o na minha entrada e desci pela sua extensão, levando-o para dentro de mim. Michael sufocou os meus gemidos com a boca e segurou a minha cintura, guiando-me para baixo em movimentos de vai e vem. Seus dedos começaram a se mover pelo meu clitóris e eu relaxei nos seus braços minutos depois, chegando ao orgasmo e trazendo-o comigo.
- Tão gostosa – ele disse ao meu ouvido quando regulou a respiração. – É uma pena que eu tenha que ir para o escritório.
Dei um demorado beijo nos seus lábios e levantei-me do seu colo.
- Eu também tenho que ir trabalhar. Mas antes preciso passar em casa para trocar de roupa e pegar as chaves.
- Eu levo você – ofereceu.
Eu sorri e assenti.
- Tudo bem. Vou procurar a minha roupa e os meus sapatos – eu disse dando uma piscadela para ele.
Ele beijou meus lábios mais uma vez e ajeitou o roupão em torno do corpo.
- Eu também vou me trocar, volto em um minuto – disse para mim antes de ir em direção ao quarto.
Apenas alguns minutos depois eu e Michael já estávamos devidamente vestidos, saindo juntos do seu apartamento. Demos alguns passos até o elevador e esperamos que a porta de metal se abrisse.
- Eu acho que já estou atrasado – Michael disse olhando para o relógio. – Tenho uma reunião importante, espero que o trânsito colabore.
Quando a porta do elevador se abriu, uma mulher morena saiu de dentro dele, segurando algumas sacolas de supermercado. Ela alta, bonita e cheia de curvas, aparentando ter pouco menos de 30 anos. Pensei que Michael iria se apressar em descer, mas, por algum motivo que não consegui captar de primeira, ele ficou parado exatamente onde estava.
- Bom dia, Michael – a mulher disse quando o viu.
Ele deu um sorriso – um sorriso largo e extremamente amistoso - e fez um aceno com a cabeça.
- Bom dia, Melodie – respondeu. – Como está você?
- Eu estou bem! – murmurou ela com um sorriso nos lábios.
- Como está indo o trabalho? – Michael perguntou com interesse.
- Cada dia melhor... – ela disse. – Agradeço muito pela sua ajuda. Se não fosse por você, talvez o diretor não tivesse me dado uma chance.
- O mérito é todo seu – Michael murmurou. – Só dei um telefonema... Era o mínimo que eu poderia fazer.
Pigarreei de leve, sentindo-me perdida no diálogo, e a mulher olhou para mim, parecendo um pouco desconfortável de repente.
- Therese, essa é Melodie Simpson – Michael apresentou quando o silêncio se fez, como se o nome dela me causasse algum interesse.
- Senhora ou senhorita Simpson? – perguntei esticando uma das mãos para ela.
- Senhorita – ela respondeu, e ao apertar a minha mão vi que ali não havia nenhuma aliança.
“Mais uma das vacas que o Michael leva para a cama” uma voz cantarolou na minha cabeça.
- É um prazer conhecê-la – eu disse mesmo de mau gosto.
- O prazer é todo meu – a mulher respondeu. – Bom, eu tenho que ir. Daqui a pouco tenho que estar no hospital.
- É médica? – perguntei.
- Não, sou enfermeira.
- Hum, interessante – eu disse sem conseguir disfarçar o tédio da voz. Olhei para o relógio. – Você também não está atrasado? – relembrei para Michael.
- Sim, eu estou – murmurou ele com relutância. – Até mais, Melodie.
A mulher abriu um sorriso e deu um tchauzinho para nós dois.
- Até mais.
Desfiz o sorriso mentiroso dos lábios e revirei os olhos quando ela se virou e começou a caminhar no corredor em direção a um dos apartamentos. Eu e Michael entramos no elevador e a porta à nossa frente deslizou até se fechar.
- Eu não sabia que você tinha um lado tão simpático e cavalheiro.
- Eu já havia dito que tenho muitas qualidades que você ainda não conhece – ele respondeu com um sorriso, apertando no painel eletrônico o botão que nos conduziria até a garagem no subsolo.
- Não me diga que você também anda comendo a sua vizinha?! – questionei com as sobrancelhas levantadas. – Sem brincadeira, isso parece um clichê daqueles filmes pornôs de quinta categoria.
Ele gargalhou.
- Não é nada disso – corrigiu. – A Melodie é nova na cidade e está em fase de adaptação. Só estou tentando ser prestativo com a garota.
- De onde ela é? – perguntei e a porta do elevador se abriu.
- Detroit.
- Nunca transou com ela? – perguntei sem conseguir acreditar, enquanto caminhávamos até o carro.
- Eu e ela estamos saindo há algumas semanas, mas não passamos da conversa e de algumas taças de vinho – murmurou e parecia estar sendo sincero.
Entramos no BMW preto de vidros escuros e travamos o cinto de segurança.
- Eu pensei que mulher nenhuma resistisse ao seu incrível charme – rebati. – Pelo visto essa Melodie está te fazendo de idiota.
Ele deu a partida e saiu de ré, reposicionando o carro em frente ao portão que levantou automaticamente para permiti-lo sair.
- Acredite, com ela é diferente.
- Diferente... como?
- Ela me entende perfeitamente bem... Temos uma grande sintonia. Nos tornamos bons amigos e eu não quero estragar tudo.
Peguei a bolsa e retirei um espelho de dentro dela.
- Desde quando sexo estraga alguma coisa?
- Desde quando há sentimentos envolvidos – ele respondeu.
Arqueei as sobrancelhas.
- Você gosta dela pra valer?
- Não faça perguntas difíceis, Therese – Michael desconversou. – Ahm, eu preciso do seu endereço.
Olhei-me no espelho e disse para mim mesma que eu era muito mais bonita e atraente do que a tal de Melodie.
- Tess, preciso do endereço – ele repetiu, recobrando a minha atenção, mas eu estava perdida nos meus próprios pensamentos.
- Você me acha sexy? – perguntei para Michael.
- Eu estaria cego ou louco se dissesse que não. Você é extremamente sexy e sabe bem disso – ele respondeu. – Agora posso saber para onde devo levá-la?
- West Century Boulevard 7467 - eu disse guardando o pequeno espelho de maquiagem na bolsa outra vez.
- Segure-se, baby, porque agora eu vou pisar fundo – ele avisou com um risinho assim que pegamos uma longa avenida.
“Maldição” pensei comigo mesma. “Os peitos dela são maiores do que os meus e ela tem uma pele tão bronzeada...” analisei com uma súbita irritação observando a minha pele pálida. “Melodie. Que nome ridículo!”
- Michael, eu quero um orgasmo... – eu disse para ele, sentindo uma súbita excitação tão grande que fazia a minha intimidade doer. Ele me encarou incrédulo e eu completei: - Agora.
- Aqui? – perguntou sem parar de acelerar, entrando na contra mão para chegar mais rápido. – Tess, estamos cruzando a avenida mais importante da cidade.
- Eu preciso – murmurei quase em uma súplica, colocando uma das pernas no painel do carro. – Você tem que me fazer gozar.
Michael riu e tirou uma das mãos do volante, ainda em alta velocidade. Enfiou a mão por baixo do meu vestido e colocou a minha calcinha para o lado, começando a massagear o meu clitóris.
Joguei a cabeça para trás e fechei os olhos ao sentir os seus dedos se moverem em mim. Comecei a gemer alto, pedindo que ele fosse mais rápido. Michael não havia decidido se ficava com os olhos na estrada ou com os olhos em mim. Pela expressão pervertida no seu rosto dava pra perceber que ele adorava dar prazer dessa forma pra uma mulher.
Um ônibus escolar surgiu à frente do carro e buzinou alto, fazendo Michael manobrar rapidamente e voltar ao seu lugar na pista. Eu me contorci sobre o banco e agarrei o seu pulso com uma das mãos, enfiando as unhas sem piedade na pele dele. A minha intimidade estremeceu e senti uma onda quente se espalhar rapidamente por todo o meu corpo.
- Isso... Goza bem gostoso nos meus dedos, baby – Michael incitou com a voz rouca, sem parar de me masturbar.
Apertei as pálpebras, sem conter os gemidos, e depois de gozar afrouxei as unhas no seu pulso. Michael moveu os dedos devagar por mais duas vezes e os retirou do meio das minhas pernas, enquanto eu voltava a me sentar da forma correta.
- É um milagre ainda estarmos vivos – Michael comentou rindo. – Por Deus, você só pode ser louca!
- Gosta de mulheres loucas? – perguntei para ele.
- São as minhas preferidas – ele disse para mim e nós dois rimos.
- Já disseram que os dedos são perfeitos? – comentei. – Você tem uma mão linda e muito sexy.
Ele fixou as mãos no volante.
- Hoje à noite elas estarão apertando você por todos os lugares – ele murmurou. – A não ser que você não queira, claro.
- Claro que eu quero! – eu disse.
Michael sorriu.
- Eu realmente adorei a noite que passamos juntos. Quero muito tê-la outra vez – disse, parando o carro em frente ao enorme prédio branco que se destacava por entre as outras construções da rua.
- Estarei esperando por você – eu disse para ele. - Apartamento 347, décimo terceiro andar.
Ele assentiu me deu um demorado e delicioso beijo na boca.
- Perfeito. Estarei aqui por volta das nove – avisou, assim que nossos lábios se separaram.
Capítulo 6
Troquei de roupa ao chegar em casa e duas horas depois eu estava levando uma bronca do meu chefe por ter chegado atrasada no escritório. Peguei meia dúzia de pastas para reavaliar o andamento de um processo e fui para minha sala, mas Michael simplesmente não saía da minha cabeça, impedindo-me de trabalhar direito. Tirei o espelho da bolsa e olhei o meu reflexo nele, ajeitando os cabelos loiros e retocando o batom vermelho. “Estou contando as horas para o nosso próximo encontro, baby” falei comigo mesma, rindo e recostando-me na cadeira.
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Residência dos Brown, Seattle, 20 anos antes.
A garotinha de olhos claros estava sentada na grama do jardim, de vestido rodado e passadeira nos cabelos, sorrindo para o homem bem apessoado que estava sentado ao seu lado. O homem passou as mãos pela sua perna e começou a distribuir cócegas pelo seu corpo, fazendo-a cair suavemente de costas na grama, quase engasgando de tanto rir.
- Eu te amo, papai – ela disse para ele quando parou de sorrir. Jogou-se nos seus braços e pôs a cabeça no seu colo.
- Eu também te amo, querida – ele respondeu acariciando os seus cabelos.
A alguns passos dali, uma mulher alta de traços fortes observava o marido e a filha com absoluta atenção. Arqueou as sobrancelhas e respirou fundo, saindo dali poucos minutos depois sem fazer barulho.
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Eu estava enrolada em uma toalha branca quando ouvi a campanhia do apartamento tocar por duas vezes seguidas. Conferi o relógio na parede e praguejei comigo mesma por ter perdido a noção do tempo, irritada por não ter conseguido me arrumar a tempo de esperar pelo meu visitante. Caminhei até a porta apressadamente e a abri, dando de cara com Michael do lado de fora. Ele me olhou de cima a baixo e não disfarçou a satisfação em me ver sem roupa.
- Boa noite, Jackson – eu disse com um sorriso, segurando a toalha para mantê-la fixa ao corpo. – Você está um gato – murmurei ao descer os olhos pela sua roupa; composta por calça preta, camisa branca com gola em V, jaqueta escura e chapéu fedora.
Ele riu e me deu um beijo nos lábios.
- Você já começou a tirar a roupa sem mim? – perguntou com bom humor.
- Eu acabei de chegar do escritório – expliquei, abrindo espaço para que ele pudesse entrar. – Fiquei presa no trânsito e foi um inferno. Eu não queria que você me encontrasse nesse estado – lamentei.
- Qual a importância das roupas? – ele perguntou passando os dedos pela minha nuca. - Iremos tirá-las de qualquer jeito!
Abri um sorriso e estendeu para mim uma garrafa de whisky.
- Eu pensei em trazer flores... Mas acho que uma boa bebida combina muito mais com você.
- Muito melhor assim – murmurei, rindo e pegando a garrafa. - Eu não preparei nada para nós, mas podemos pedir algo pelo telefone se você estiver com fome. Conheço um restaurante japonês onde a comida é estupenda. Tenho certeza de que você iria adorá-la.
- Não é necessário – recusou. – Eu não estou muito a fim de comer.
- Hm... Tem certeza? – perguntei dando uma leve mordida no lábio.
Gargalhamos quando ele captou a malícia presente na minha pergunta.
- O que você tem a me oferecer, Therese, é muito mais apetitoso do que comida japonesa, tenha absoluta certeza.
Eu ri para ele e dei outro beijo nos seus lábios.
- Vou para o banho, okay? – eu disse pegando um controle remoto ao lado do abajur e colocando em suas mãos. - Ligue a TV e se distraia, baby, volto em alguns minutos.
Ele assentiu e sentou-se no sofá, começando a surfar pelos canais a procura de algo interessante, enquanto eu seguia na direção do banheiro.
Depois do banho, fui para o quarto e vesti uma lingerie de renda preta com transparências que Michael certamente iria adorar. Enfiei-me em um vestido de tecido fino, soltei os cabelos, passei delineador nos olhos e batom escuro nos lábios antes de voltar para sala.
- Voltei – anunciei, aproximando-me do sofá com dois copos de whisky nas mãos. Dei um dos copos para Michael e bebi um gole do outro, sentando-me ao seu lado no sofá. Um filme em preto e branco que não consegui identificar passava em algum canal da TV à nossa frente.
- Vi a enorme e bem organizada coleção de filmes que você tem ali – ele disse apontando para a estante. – Todos são clássicos do terror e do suspense. Impressionante!
- Tenho um encantamento especial pelos filmes de Stephen King e Alfred Hitchcock – confessei. – Sempre saio pela cidade a procura de raridades para aumentar a coleção.
- Por que você gosta tanto desse tipo de filme? – Michael perguntou com curiosidade.
- Porque me divirto muito com a expressão que os personagens fazem quando são assassinados – respondi com sinceridade. – É engraçado vê-los correndo e entrando em desespero, tentando escapar do inevitável. É como um labirinto. Quanto mais eles fogem, maiores são as chances de serem pegos.
- Você tem um gosto muito peculiar, Therese – Michael comentou bebendo o whisky. - Eu prefiro as comédias. Amo os filmes de Charlie Chaplin.
- God... Ele era retardado!
- Ele era um verdadeiro gênio! – Michael defendeu.
- Meu pai era um grande fã daquele demente – relembrei. – Até se encontrou com um dos filhos dele certa vez.
- Sério?! – ele perguntou com entusiasmo.
- Sério! Ele exibia a foto que tiraram juntos como um troféu. Gostaria de vê-la? Talvez você consiga me explicar o que torna aquela porcaria tão interessante.
Michael balançou a cabeça positivamente e me levantei, puxando-o pelas mãos e guiando-me até o meu quarto. Bati a porta quando entramos e agachei-me diante do criado-mudo, revirando um amontoado de papéis dentro de uma das gavetas até encontrar a fotografia em que dois homens altos sorriam para a câmera.
- Veja que coisa mais ridícula – eu disse rindo, esticando a foto para Michael.
Michael pegou a fotografia, a analisou calmamente, e levantou os olhos até fitar o meu rosto novamente.
- Espera aí... Eu o conheço – ele murmurou com surpresa.
- Acho que o nome dele é Christopher – murmurei sem dar muita importância. – Ele é um dos filhos mais novos de Charlie.
Michael balançou a cabeça negativamente.
- Falo do outro homem... - corrigiu-me. – Oh Deus, Therese! – murmurou como se estivesse feito a maior descoberta do século – Esse é cara aqui é Donald Brown, certo? Não me diga que você é filha do senhor Brown?!
Minhas sobrancelhas se arquearam automaticamente.
- Sou... – eu disse cautelosamente. – Vocês e o meu pai se conheciam?
- Trabalhei para o senhor Brown em Seattle há anos atrás, logo após sair da faculdade – disse olhando a foto novamente. - Eu era jovem, estava no início da carreira, e mesmo assim ele acreditou na minha competência e me deixou responsável por importantes contratos da empresa que ele dirigia – Michael relembrou. – Depois que vim para Los Angeles fiquei sabendo por terceiros que ele e a esposa haviam morrido em um incêndio no chalé onde passavam as férias, deixando uma filha adolescente. Foi uma perda lamentável.
- Eu era a filha em questão. Que coincidência! Quase dez anos já se passaram desde a tragédia – lembrei, ficando distante de repente.
- Eu sinto muito – consolou-me.
- Tudo bem – eu disse, pegando a foto das suas mãos e guardando-a novamente. – Não sou a primeira órfã do mundo e provavelmente não serei a última. – Sorri. – Podemos mudar de assunto?
Michael assentiu e aproximou-se um pouco mais, colocando as mãos em torno do meu quadril.
- Sobre o que você quer falar, baby? – perguntou, passando os lábios pelas minhas bochechas.
Segurei-o pela gola da camisa e chupei lentamente o seu pescoço.
- Não quero falar, Michael, eu quero fazer – respondi afastando as lembranças, empurrando-o para cima da minha cama.
Capítulo 7
Michael abriu um sorriso satisfeito e repousou a cabeça no meu travesseiro, enquanto eu começava a desabotoar a sua camisa. Tirei os sapatos, as meias, a calça e o deixei apenas com a boxer vermelha que cobria o seu membro já excitado. Distribui uma sequência de beijos nos seu peitoral e sentei-me em cima dele, esfregando a minha intimidade no seu membro ainda por cima da roupa. Ele mordeu o lábio e soltou um longo suspiro enquanto tentava se livrar do meu vestido, apertando os meus seios e descendo as mãos pelas minhas costas.
- Hoje o domínio é meu, Jackson – eu disse ao seu ouvido, inclinando-me sobre ele e enfiando uma das mãos na primeira gaveta da mesa de cabeceira próxima à cama para tirar duas algemas de metal de dentro dela.
Dei um longo beijo nos lábios de Michael e, quando ele deu por si, eu já estava prendendo os seus pulsos na cabeceira da cama.
- Quanta provocação, Therese – ele murmurou com um meio sorriso nos lábios, enquanto eu terminava de imobilizá-lo. O seu membro pulsava sob a cueca, implorando para ser libertado logo dali. Passei os dedos lentamente sobre o tecido da boxer e Michael se contorceu devagar. – Tire-o para fora, baby – pediu, apertando as unhas contra as próprias mãos.
- E acabar com o melhor da festa? – perguntei com um sorriso divertido, esfregando a ponta dos dedos pela sua virilha. – Ainda é cedo demais para satisfazer as suas vontades. Sou eu quem manda aqui dessa vez.
Saltei da cama e o contemplei deitado diante de mim, quase completamente nu, entregue a qualquer coisa que eu resolvesse fazer naquele momento. Engatinhei até voltar para cima dele outra vez e chupei o seu lábio inferior, esticando uma das mãos para pegar outro objeto dentro da gaveta.
- Vamos brincar um pouquinho? – perguntei baixinho para ele, puxando da gaveta uma arma prata de metal e apontando-a para ele. Michael me observou e, mesmo tentando se manter impassível diante da minha ação, vi o susto e a surpresa atravessarem o seu rosto. - Qual o motivo do espanto? – perguntei sem conseguir segurar o riso. – Nunca viu uma arma na vida?
Michael desceu os olhos até o cano da arma e levantou uma das sobrancelhas.
- As consequências dessa brincadeira podem ser desastrosas – ele disse para mim. – Guarde essa porcaria novamente antes que um de nós acabe se machucando de verdade.
- Não seja tão rude com a minha amiga – defendi, passando o metal gelado pela pele do seu pescoço. – O nome dela é Pluma e ela não é uma porcaria.
- Espero que ela esteja devidamente registrada, ou você poderá ser presa por porte ilegal de arma de fogo – ele sibilou.
Eu gargalhei.
- Foda-se as leis! As regras são feitas para serem quebradas, não concorda?
- Eu me surpreendo ao ouvir uma advogada falando dessa forma.
Beijei os seus lábios e tentei acalmá-lo.
- Não leve tudo tão à sério. A Pluma só quer um pouco de diversão.
- Que tipo de pessoa coloca um nome em uma arma? – ele questionou.
- As criativas – devolvi. Deslizei o cano da arma pelo seu rosto e a repousei na sua cabeça, bem no meio da sua testa. O sorriso no meu rosto se desfez e fitei Michael com firmeza. – Não sente nem um pouco de medo?
Ele me olhou com indiferença.
- Não. Eu sei que você não atiraria em mim.
Apertei a arma um pouco mais forte contra a sua testa.
- Diga que você tem medo.
- Eu não tenho medo, Therese – reafirmou sem me levar à sério.
Respirei fundo e destravei a arma, voltando a empurrá-la contra a sua cabeça. Olhei no fundo dos seus olhos e levantei as sobrancelhas.
- Nunca me subestime, baby – murmurei com a voz firme, deslizando o dedo indicador pela arma até puxar o gatilho.
Capítulo 8
A arma fez um clique oco e eu gargalhei alto. Michael soltou um longo suspiro e eu voltei a beijá-lo, colocando a arma em cima da mesa de cabeceira.
- A Pluma está descarregada, okay? – eu disse para ele.
- Você é louca, Therese – ele murmurou para mim. Puxou as mãos algemadas e fez um sinal de cabeça para que eu o libertasse. – Solte-me.
Assenti devagar e peguei a chave que destravava as algemas.
- Tudo bem, mas eu ainda não terminei com você – eu disse, soltando-o e arranhando de leve o seu tórax.
Michael mordeu o próprio lábio e eu deslizei a boca pelo seu peitoral, fazendo todo o seu corpo se arrepiar. Ele ainda parecia estar assustado, mas o seu membro continuava rígido sob o tecido da cueca, pedindo em silêncio que eu o libertasse dali de dentro. Retirei a boxer, sem parar de beijá-lo e Michael desceu a minha calcinha, pondo as mãos no meu quadril e guiando-me na direção do seu pênis ereto. Joguei a cabeça para trás e permiti que ele deslizasse para dentro de mim, enquanto Michael começava a me puxar cada vez mais rápido contra o seu corpo.
O único som que poderia ser ouvido no quarto era o dos nossos altos gemidos e dos nossos corpos se fundindo em apenas um. Quando chegamos juntos ao orgasmo Michael apertou as mãos ainda mais forte no meu quadril e inclinou-se até encontrar os meus lábios, dando uma mordida tão forte no meu lábio inferior que por pouco foi ele quem arrancou sangue de mim daquela vez.
Quando o seu membro parou de pulsar dentro de mim eu sorri para ele e deitei-me ao seu lado, beijando os seus lábios com calma para que a nossa respiração pudesse voltar ao normal. Michael apoiou a cabeça no travesseiro e pareceu pensativo e distante por alguns minutos.
- Eu vou desligar a TV e apagar as luzes da sala – eu disse para ele, dando um suave beijo nos seus lábios e saltando da cama.
Ele permaneceu em silêncio, apenas me observando. Fui até a sala e procurei o controle da TV no sofá. Na tela, um casal apaixonado se beijava em um filme que não consegui identificar. Revirei os olhos e a desliguei, apertando o interruptor da luz em seguida e voltando para o quarto. Quando cruzei a porta, vi Michael sentado na cama com a minha arma nas mãos.
- Descarregada? – ele perguntou para mim, gesticulando para o tambor de metal que ele havia aberto.
Havia uma bala encaixada entre cinco espaços vazios.
- Quase descarregada – eu me corrigi.
Os punhos dele se cerraram.
- Que merda você pensou que estava fazendo, Therese?! – bradou. - Poderia ter estourado a porra dos meus miolos nessa cama!
- Que drama desnecessário – retruquei. – Cabem 6 balas aí, mas só tinha umazinha! As chances de você receber um tiro eram mínimas.
Ele me encarou com incredulidade e começou a se vestir.
- Prefiro nem pensar no que poderia ter acontecido – ele murmurou com raiva. – Você é uma maluca, deveria se tratar!
Continuei tão calma quanto antes.
- Não quer dormir aqui? – perguntei.
Ele terminou de calçar os sapatos e abotoar a camisa.
- Nem sei se quero olhar para a sua cara outra vez – ele respondeu, saindo furioso pela porta do quarto.
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Residência dos Brown, Seattle, 14 anos antes.
Os gritos que vinham do quarto ao lado eram altos e perturbadores. A garota loira na cama apertava as mãos com força sobre as orelhas para tentar trazer o silêncio, mas mesmo assim conseguia ouvir a voz alterada da sua mãe:
- Eu não sou cega, Donald! Sei muito bem do que estou falando!
- Cale essa boca, Angeline! Você não sabe de nada!
Ouviu mais alguns gritos e depois o silêncio absoluto reinou no ambiente. Tentou dormir, mas o sono havia se dispersado por completo. Provavelmente a mãe havia se entupido de remédios e conseguido dormir após a discussão. Minutos depois ouviu a porta do seu quarto abrir lentamente e alguns passos se aproximaram da cama. Fingiu que dormia enquanto mãos masculinas começavam a abraçá-la.
- Ah querida... – o homem sussurrou enquanto passava as mãos pelos seus braços.
Pouco depois a sua camisola deslizou até a cintura, deixando seus seios à mostra.
Quando ele saiu do quarto, os olhos da garota estavam cheios de lágrimas. “Você ainda irá pagar muito caro por isso, papai” pensou consigo mesma, secando os olhos com força.
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Capítulo 9
Não entendi por qual motivo Michael saiu do meu apartamento tão irritado. Sério, não havia motivo para tanto drama. Havia mesmo chances de ele ter recebido um tiro, mas isso não aconteceu! Ele estava tão inteiro quanto antes, portanto, por que ficou tão transtornado com uma simples brincadeira?
Na manhã seguinte eu estava no escritório pensando em Michael quando o meu chefe entrou na minha sala com uma pasta preta repleta de papéis nas mãos. Respirei fundo e recobrei a atenção quando vi o senhor de cabelos levemente grisalhos atirar a pasta em cima da mesa.
- Trouxe mais um presentinho para você, Therese – ele disse.
Peguei a pasta e comecei a folhear os papéis.
- Devo fazer uma reavaliação desse processo?
Ele assentiu.
- O caso estava arquivado, mas foi reaberto. Estude-o minuciosamente e encontre as falhas para que possamos montar uma boa defesa para um cliente importante.
Corri os olhos pela primeira folha e vi pesava contra um sujeito porto-riquenho uma acusação sobre importação ilegal de bebidas.
- Verei o que posso fazer.
- O cliente quer dois advogados cuidando disso – ele acrescentou. –Escolha alguém para auxiliá-la. A situação do cara está complicada e duas cabeças pensam melhor do que apenas uma.
- O senhor tem alguém em mente?
- Pensei no Manson – ele murmurou.
O cara em questão era Shad Manson, o maior idiota daquele escritório de advocacia.
- Se não se importar, eu gostaria de indicar outra pessoa.
- Faça o que julgar mais conveniente, Therese – ele respondeu. – Você tem colegas muito competentes aqui, faça a sua escolha.
Ele virou-se na direção da porta e antes que ele saísse, eu o chamei:
- Senhor Harold?
Ele virou-se novamente para mim, com a mão na maçaneta.
- Sim?
- O meu parceiro poderia ser um advogado que não trabalha nesse escritório?
Ele balançou a cabeça negativamente.
- Claro que não! Isso diminuiria os nossos lucros e não seria nem um pouco inteligente.
- Posso tirar do meu próprio bolso para pagar os honorários dele – propus. - O que o cliente pagar para o segundo advogado ficará para o escritório. O senhor irá ficar com a parte inteira da grana, e não apenas com uma porcentagem.
- Por qual razão você faria essa maluquice? – questionou com dúvida.
Cruzei as pernas e fechei a pasta.
- Porque eu quero Michael Jackson nesse caso.
Suas sobrancelhas se levantaram
- Sei quem ele é. É um filho da mãe muito esperto. E muito caro, por sinal. Já ouvi dizer que ele não abre mão de trabalhar sozinho. Por qual razão ele aceitaria cuidar desse caso com você?
- Porque eu o conheço bem e ele não me negaria isso – respondi. – Tenho muito a aprender com ele. Ele é muito experiente.
O meu chefe balançou a cabeça positivamente e deu de ombros.
- Faça como achar melhor, Therese. Eu só não quero sair perdendo - ponderou. - Por isso, é bom que você saiba de verdade o que está fazendo – aconselhou com a expressão fechada, antes de abrir a porta e sair da sala.
No fim do dia saí mais cedo do trabalho e segui para o escritório de Michael. Agora eu tinha a desculpa perfeita para me encontrar com ele após o seu surto dramático da noite anterior.
Minutos após ter sido anunciada pela sua secretária eu fui autorizada a entrar na sala onde nos vimos pela primeira vez.
- O que faz aqui, Therese? – Michael perguntou quando parei diante da sua mesa.
- Ainda está irritado comigo? – foi a primeira coisa que perguntei.
- Você quase me matou – ele relembrou. - Como quer que eu esteja?
Sentei-me em uma poltrona diante dele e cruzei as pernas.
- Vamos esquecer aquele pequeno incidente, está bem? Eu estou aqui porque tenho uma proposta para lhe fazer.
Ele arqueou as sobrancelhas.
- Qual proposta? Enfiar uma bala na minha cabeça?
Revirei os olhos.
- Até quando você vai me encher o saco por conta disso? Eu já disse que foi apenas uma droga de uma brincadeira!
Ele inclinou-se sobre a mesa e juntou as mãos.
- Economize as explicações e diga logo o que veio fazer aqui – apressou-me, fitando-me com firmeza.
- Eu gostaria de ter a sua ajuda na reavaliação de um processo – comecei a dizer. - Você é mais experiente do que eu e preciso de um parceiro nesse caso. Logo pensei em você.
- Sinto muito, mas eu não trabalho em parcerias – ele respondeu.
- Eu seria uma parceira excepcional – sussurrei para ele.
- Não estou interessado. Prefiro ficar longe de você.
- Tem certeza? – perguntei, levantando-me e dando a volta na mesa até me sentar no seu colo. Passei as unhas pela sua nuca e senti seu corpo se arrepiar. – Esqueça o que aconteceu ontem. Não irá se repetir, eu prometo.
- Eu vou ser bem remunerado? – ele perguntou com um tom nitidamente malicioso.
- Vai – afirmei, descendo as mãos pela sua gravata. – Tanto financeiramente... – Mordi o seu lábio inferior e passei uma das mãos pelo seu membro por cima da calça: – Quanto sexualmente.
Ele fitou os meus lábios tão próximos aos seus e me deu um demorado beijo. Olhou para cima quando nossos lábios se separaram e voltou a me encarar, naquela expressão de quem odeia dar o braço a torcer.
- Está bem – ele disse por fim. – Vamos marcar uma reunião para que você possa me explicar sobre o andamento do caso.
Eu sorri e beijei de leve o seu pescoço.
- Prometo que vou explicar tudinho pra você... – eu disse, começando a desabotoar a sua camisa. – Mas vamos deixar isso para depois. Agora, temos assuntos muito mais urgentes tratar – murmurei enquanto fitava os seus olhos, desfazendo o nó da sua gravata.
Capítulo 1
Acomodei-me no banco traseiro do primeiro táxi que vi cruzar uma das
principais avenidas de Los Angeles e reabri a pasta preta que eu trazia
nas mãos para conferir – pela enésima vez – uma dúzia de papéis em
branco que em breve estariam devidamente assinados. Dei as coordenadas
para o motorista já grisalho e voltei a fechar a pasta, abrindo a bolsa
para tirar de dentro dela os itens necessários para retocar a minha
maquiagem. Meus cabelos estavam presos em um alto coque e meus lábios
estavam cuidadosamente tingidos de um tom avermelhado, contrastando com o
blazer preto feito de um corte reto e a saia de mesma cor que descia
até pouco acima do joelho. Eu já ouvira falar que o advogado com o qual
eu me encontraria era um homem refinado e de bom gosto, portanto, usar
um pouco do meu charme feminino seria o primeiro passo para conseguir
com ele o acordo financeiro que os meus importantes cliente tanto
desejavam.
Assim que o táxi chegou ao local indicado, estiquei para o motorista
uma nota de cinquenta dólares e, sem ter tempo para esperar o troco, saí
apressadamente do carro e caminhei sob o vento frio até a entrada do
grande e moderno prédio onde Michael Jackson deveria estar esperando por
mim. Subi até o terceiro andar e, após ser anunciada pela sua jovem
secretária ruiva com cara de prostituta, dei três leves batidas na porta
e esperei que ele me autorizasse entrar.
- Entre – ouvi ele dizer do lado de dentro.
Apertei a pasta nas mãos e entrei na sala luxuosamente decorada,
ouvindo o meu salto fino bater contra o assoalho até que eu finalmente
parasse diante da enorme mesa de madeira nobre onde o homem com os olhos
mais negros que eu já vira observava-me com atenção. Ele vestia um
terno preto bem cortado e uma camisa branca com uma impecável gravata
vermelha logo abaixo dele, em contraste com a pele clara e os lábios bem
definidos também avermelhados. “Puta que pariu. Que delícia de homem!”,
foi a primeira coisa que pensei comigo mesma ao analisá-lo com cautela.
“Eu não fazia a mínima ideia de que ele era assim.”
- Doutora... – ele começou a dizer e olhou apressadamente para um
papel ao lado do telefone, voltando novamente os olhos pra mim. – Brown.
Devo dizer que você está três minutos atrasada?
Sentei-me na poltrona à sua frente e arqueei as sobrancelhas na
tentativa de amenizar um pouco os efeitos imediatos que aquele homem
causara em mim. Não haviam me dito que ele era tão bonito. E eu não
sabia que teria uma recepção tão fria e metódica da sua parte. “Aposto
que ele é ótimo de cama”, pensei comigo mesma, enquanto abria a pasta e
retirava os papéis de dentro dela. “Maldição... Será que ele é casado?”
- Doutor Jackson, eu conheço muito bem os meus horários – respondi
com a mesma frieza na voz, esforçando-me para manter a concentração. –
Mas ainda não tenho o poder de controlar o trânsito infernal dessa
cidade.
Ele abriu um meio sorriso e reclinou-se um pouco mais na cadeira, sem
nem sequer esticar uma das mãos para um formal cumprimento de
apresentação.
- Por favor, diga-me... – olhou para a minha mão esquerda e pareceu
satisfeito por um momento. - O que a senhorita pensa que veio fazer
aqui?
Eu havia mencionado aquilo repetidas vezes por telefone, portanto, a
pergunta me pareceu um pouco irônica e arrogante ao vir da boca dele.
- Fazer um acordo, oras! – respondi com uma pontada de irritação.
Ele me analisou demoradamente e voltei a me arrepiar ao sentir o seu
olhar pesar sobre mim. Seus traços eram impecáveis e ele tinha um ar
autoritário que muito me agradava. Era exatamente o tipo de homem pelo
qual eu costumava me interessar. “Será que ele se deixaria ser dominado
por mim?” perguntei mentalmente enquanto o esperava falar alguma coisa.
– Eu não disse ao telefone que estava disposto a discutir um acordo - ele disse recobrando a minha atenção.
- Mas eu ainda nem fiz a proposta!
- Levaremos o caso para o tribunal – disse ele obstinadamente. - A
empresa que você representa usou fotos do meu cliente em uma campanha
publicitária sem a autorização dele e pode ser processada por uma
infinidade de artigos do nosso Código Penal.
– O seu cliente tinha um contrato devidamente assinado e reconhecido
– rebati esticando alguns papéis para ele. – Está tudo dentro da lei,
confira se quiser.
- O contrato não foi devidamente cumprido – disse, ignorando os
papéis à sua frente. – Uma cláusula deixa claro que o meu cliente tinha o
direito de ver cada foto tirada e escolher quais delas seriam editadas
antes de ir para a campanha, o que, segundo ele, não aconteceu.
- O seu cliente só pode ser um veado cheio de frescuras! – explodi,
indignada por ele querer abrir um processo por algo tão sem importância.
– Ele está querendo colocar as mãos em uma alta grana fácil, mas tenha
absoluta certeza de que não permitirei que isso aconteça!
- Controle os ânimos e tome cuidado com o que fala – exigiu quase
sorrindo. Ele estava se divertido com a minha irritação, e eu o estava
odiando por isso. – Você também pode acabar sendo processada por calúnia
e difamação.
- Vamos Jackson, use a cabeça – argumentei novamente, e a extrema
calma dele começou a me dar ainda mais nos nervos. - Vocês irão perder
feio se não fizerem um acordo justo agora.
Michael me encarou e, a julgar pela sua expressão, me achou petulante por minha insistência.
- Eu nunca perco, senhorita Brown – murmurou ele pacientemente. –
Receio que um acordo, nesse momento, é algo fora de cogitação. – Apontou
para a porta e abriu um sorriso cínico. – Isso é tudo o que tenho para
dizer em nome do meu cliente. A reunião está encerrada.
Cruzei as pernas e tentei manter a calma, enquanto os meus olhos
fixos naquele homem fumegavam de raiva. Quem ele pensava que era para
falar comigo daquela forma? E por que diabos algo nele atraía tanto a
minha atenção?
- Eu acho que deveríamos conversar com calma para encontrar uma
solução que seja proveitosa para ambos os lados – propus
estrategicamente. – Mal nos conhecemos e, definitivamente, acredito que
começamos com o pé esquerdo.
Ele ficou em silêncio por alguns minutos e assentiu devagar.
- Tudo bem. – Sorriu. - Talvez possamos marcar mais uma reunião.
Levantei-me da poltrona e consegui abrir um pequeno sorriso.
- Eu já conheci o irritante Jackson – murmurei levantando as
sobrancelhas. – Que tal me apresentar apenas o Michael? - indaguei na
tentativa de atravessar a barreira formal que ele construíra em torno de
si. – Talvez ele seja um pouco mais amigável e aceite fazer esse
maldito acordo de uma vez.
Ele sorriu e mordeu o lábio inferior; um simples gesto que, vindo dele, me deixou subitamente excitada.
- Parece interessante – ele disse olhando para mim. Abaixou o olhar
despudoradamente até os meus seios e me abençoei imediatamente por ter
escolhido um belo e pouco discreto decote. – Apesar de tê-la achado uma
histérica impontual, eu não poderia negar um convite de uma mulher tão
bonita quanto você, senhorita Brown.
Suas palavras foram tão firmes que quase me fizeram perder a linha
de raciocínio. Estava na cara que já não estávamos mais falando sobre
trabalho. Ele havia gostado de algo do que viu em mim: e aquele
interesse era mútuo, sem sombra nenhuma de dúvida.
- Já que iremos nos conhecer melhor... Pode me chamar de Therese ou
Tess – murmurei olhando para os seus lábios vermelhos, esticando uma das
mãos para ele. – É assim que me chamam os íntimos.
Ele pegou minha mão e deu um quente beijo no seu dorso.
- Quer dizer que seremos íntimos? – perguntou, e não pude deixar de notar a malícia presente na sua voz.
- Ligarei para marcar o local do nosso encontro – avisei, sem
responder a sua pergunta, satisfeita ao notar que ele não usava aliança
em nenhuma das duas mãos. - Ainda não foi um prazer conhecê-lo... Mas
você terá a chance de mudar isso, espero que saiba aproveitá-la bem.
Tenha uma ótima tarde.
Ele riu e soltou vagarosamente a minha mão.
- Faço das suas as minhas palavras, Therese – murmurou apontando a
porta de saída, com um irresistível toque de malícia e bom humor na voz.
Capítulo 2
Certo, Michael Jackson havia se mostrado muito mais firme do que pensei que se portaria. Um acordo era a melhor saída; economizaria tempo, trabalho e grana, por isso eu não conseguia entender por qual motivo ele insistia em abrir um processo que poderia se arrastar lentamente ao longo dos anos.
Mas a questão central após conhecê-lo passou a ser: Dane-se essa merda de acordo! Ele era o homem mais bonito e excitante que eu já vira na vida... Poderíamos fazer muita, muita coisa juntos. Ele tinha um sorriso sínico que estampado no seu rosto tomara um ar extremamente sexy e atraente. Era um tipo de cara raro de se encontrar e, definitivamente, eu não o deixaria escapar de mim tão fácil. Aquele ali seria meu... E isso era uma meta a ser alcançada em breve, não apenas um vago pensamento.
O nosso segundo encontro foi marcado para dois dias após a nossa primeira reunião. Eu mesma havia escolhido o local; um refinado bar com músicas de bom gosto, onde poderíamos conversar com absoluta privacidade. Quando cheguei ao bar, ele já estava sentado na mesa mais afastada esperando por mim, girando vagarosamente entre os dedos um copo preenchido com uma boa dose de whisky sem gelo.
- Dessa vez foram cinco minutos de atraso – ele disse com um pequeno sorriso quando me viu parar diante da mesa. – Você nunca consegue ser pontual?
Puxei a cadeira para me sentar e o observei com atenção. Diferentemente da primeira vez que nos vimos, ele estava vestido com uma grossa camisa vermelha de botões, uma calça preta vincada, mocassins e chapéu fedora da mesma cor. Bem mais informal e à vontade, mas tão lindo e irresistível quanto antes.
- Gosto da forma como você se veste – murmurei descendo os olhos pelo seu pescoço, sentando-me em frente a ele. – E cinco minutos não são nada. Ganharemos muito tempo depois... Garanto a você.
Ele sorriu e fez um sinal para o garçom.
- O que você bebe, Therese?
- Um Dry Martini, por favor – respondi repousando a bolsa na mesa.
Michael fez o meu pedido para o garçom e também pediu mais uma dose de whisky para si. Virou a última dose do seu copo e me fitou com firmeza.
- Conversei com o meu cliente sobre um possível acordo... – ele começou a dizer para mim.
- E o que ele disse?
Michael juntou as mãos.
- Ele disse que poderá pensar nessa possibilidade... se a empresa em questão oferecer para ele uma boa quantia em dinheiro para ressarci-lo por todo o desgaste emocional que ele sofreu durante as últimas semanas.
- O seu cliente é um oportunista cara de pau – afirmei para ele sem me exaltar dessa vez. – Você é um advogado sério... Por que está defendendo aquele filho da mãe?
- Ele tem dinheiro suficiente para pagar os meus caros honorários, portanto, estou comprometido a fazer o que seja melhor para ele.
- Já que ele está disposto a negociar, veremos uma quantia justa para encerrar esse caso de uma vez – respondi com determinação. – Dessa forma todos irão ficar felizes e satisfeitos com o nosso trabalho.
Michael inclinou-se um pouco sobre a mesa e arqueou as sobrancelhas.
- Tem certeza de que quer mesmo falar sobre essa droga de acordo?
Balancei a cabeça negativamente.
- Não.
Ele sorriu.
- Assim como imaginei. – Desceu os olhos até a provocativa fenda lateral do meu vestido azul-escuro. – Seja sincera... Esse não é um encontro profissional, certo?
Cruzei as pernas e sorri satisfeita. Ele era tão rápido e esperto quanto eu imaginara.
- Por que não seria? – perguntei fazendo-me de desentendida.
Michael colocou uma das enormes mãos em um dos meus joelhos e seus longos dedos começaram a acariciar a minha pele, riscando delicados círculos com a ponta das unhas.
- Você parece ser o tipo de mulher que sabe bem o que quer, Therese. – Aproximou-se mais um pouco. – E sei que você quer a mim. Estou enganado?
Meus lábios se retraíram em um sorriso.
- Você está sendo muito convencido... – eu disse e levantei as sobrancelhas. - Admiro essa qualidade.
- Tenho muitas outras que você ainda não conhece... – murmurou levantando os dedos até passá-los por cima da minha coxa. – Mas não se preocupe, farei questão de apresentá-la todas elas.
Sua firmeza e determinação fizeram o meu corpo inteiro se arrepiar.
- Você é um homem muito interessante... – eu disse, passando levemente a ponta das minhas unhas pelo seu dedo anelar da mão direita repousada em cima da mesa. – Pelo que estou vendo aqui, você ainda não se uniu em matrimônio, o que muito me agrada. – O garçom trouxe nossas bebidas e tomei o primeiro gole do Dry Martini. - Já sei que você não é casado, então, por que não me fala mais um pouco sobre a sua vida e me deixa descobrir mais um pouco?
Ele tomou um gole da sua bebida e continuou a me observar, parecendo refletir sobre algo.
- Vamos... – incentivei. - Permita que eu o conheça melhor.
Michael tirou a mão devagar da minha perna e ajeitou o chapéu.
- O que posso dizer? Eu advogo a pouco mais de dez anos... Sou o único dono do meu escritório... Moro sozinho em um confortável apartamento do outro lado da cidade... – Tomou mais um gole de whisky. - E tenho uma grande queda por loiras – concluiu com um sorriso pervertido nos lábios, observando a cor dos meus cabelos. – E você, Therese, o que tem a me dizer?
- Hm... Comecei a trabalhar há pouco mais de três anos... Gosto muito da minha profissão... Odeio falar sobre a minha vida... E adoraria conhecer o seu apartamento – murmurei tranquilamente, passando minhas pernas por entre as suas debaixo da mesa. – Vai me levar até ele... Ou prefere continuar a perder tempo?
- Gosto de mulheres diretas como você – ele respondeu quase me devorando com os olhos. – Termine logo a sua bebida e me acompanhe até carro – instruiu levantando-se, com os lábios retraídos em um sorriso satisfeito.
Capítulo 3
Eu e Michael permanecemos em silêncio a maior parte do caminho até o seu apartamento. Quando chegamos lá, ele guiou-me para dentro e acendeu as luzes da sala decorada com requinte e elegância.
- É um belo lugar para se morar – eu disse, observando o local com atenção. Coloquei a bolsa em cima do sofá e olhei para Michael. – Irá me oferecer uma bebida?
Ele sorriu e aproximou-se de mim, passando os longos dedos pelo meu queixo sem o mínimo de cautela.
- Não, Therese – murmurou, apertando os meus seios por cima do vestido em suas mãos. – Sei que nenhum de nós dois está a fim de perder tempo com enrolações desnecessárias.
Um sorriso formou-se no canto dos meus lábios e eu aproximei nossos rostos, entrelaçando as duas mãos em torno do seu pescoço. Seus lábios famintos chocaram-se contra os meus e sua língua abriu passagem para explorar milimetricamente cada canto da minha boca enquanto suas mãos começavam a se mover pela minha bunda.
Maldição, como ele beijava bem! Senti a minha calcinha se umedecer no mesmo instante e o empurrei para o sofá, pondo-me de joelhos em frente à suas pernas abertas.
- Vamos ver o que temos aqui, Jackson... – eu disse com expectativa, passando as mãos por sua ereção por cima da calça enquanto ele se livrava da própria camisa.
Michael observou-me com atenção, fitando-me com o olhar mais safado que eu já havia visto na vida. Abri o zíper devagar e abaixei a cueca boxer preta, libertando o seu membro e permitindo que ele se estendesse vagarosamente diante dos meus olhos.
- Aprova, senhorita Brown? – Michael perguntou encarando-me com um sorriso pervertido.
Mordi os lábios e levantei as sobrancelhas, boquiaberta e satisfeita ao mesmo tempo. Engoli em seco e senti minha intimidade se contorcer instintivamente contra o tecido da calcinha. Eu nunca tinha visto um pênis tão grande e tão convidativo na vida. Além de ser enorme, ele estava com a glande completamente molhada pelo líquido incolor que escapava em abundância por ali, escorrendo pela sua extensão e molhando as veias alteradas que pulsavam pelas bordas. Levei uma das mãos até ele para suprir a necessidade de explorá-lo, expondo a glande por completo, e Michael puxou o ar com dificuldade entre os dentes, jogando a cabeça levemente para trás em sinal de aprovação.
- Minha nossa, você foi muito abençoado pela natureza – comentei sem disfarçar a minha satisfação, descendo a calça por completo e começando a masturbá-lo. Olhei no fundo dos seus olhos e dei uma demorada lambida na glande. – Hmm... Parece ser uma delícia.
O seu membro pulsou entre os meus dedos e Michael colocou as mãos nos meus cabelos, guiando-me para baixo.
- Então prove-o, baby – sussurrou, e deu um longo gemido quando eu obedeci, colocando a metade do seu membro na minha boca.
Passei a língua por toda a extensão do seu pênis e suguei apenas a ponta dele, esfregando-o na parte interna da minha bochecha. Michael apertou os olhos e eu o senti estremecer, entrando e saindo por entre meus lábios tão duro quanto o fragmento de uma rocha. Pela expressão de prazer nos seus olhos e pelos gemidos cada vez mais altos que saiam da sua boca pude perceber que ele estava adorando. Forcei o membro para dentro o máximo que pude e Michael começou a empurrar o quadril rapidamente para frente, fazendo-o deslizar pela língua até próximo à entrada da garganta.
– Oh merda... Foder a sua boca é uma delícia – ele gemeu, mordendo o lábio inferior com força e empurrando-me apressadamente para o seu lugar. - Eu adoraria gozar dentro dela, mas prefiro que isso aconteça quando eu estiver metendo tudo isso dentro de você.
- Estou ansiosa para isso... – sussurrei, enquanto ele se livrava do meu vestido e dos nossos sapatos, acomodando-se por cima de mim. – Veja como você me deixou – eu disse para ele, afastando as pernas e passando os dedos pelo tecido encharcado da pequena calcinha.
Seus olhos faiscaram de desejo e ele passou a língua por cima do tecido vermelho, olhando-me firme nos olhos, fazendo a minha excitação triplicar no mesmo instante. Subiu mais um pouco e passou a boca pela minha barriga, contornando o umbigo com a língua, desenhando um caminho horizontal até chegar aos meus seios, onde distribuiu uma sequência de leves mordidas e beijos molhados. Corri as unhas pelas costas e ele começou a chupar e a sugar os mamilos com força, fazendo alguns gemidos escaparem pelos meus lábios.
O meu corpo tensionado sentia que eu poderia alcançar o orgasmo a qualquer instante, antes mesmo da penetração. As mãos de Michael encontraram a minha calcinha e ele a retirou, levando dois dedos até a minha intimidade e esfregando-os em pequenos círculos por cima dos clitóris. Quando percebeu que eu já estava completamente pronta para recebê-lo, prendeu os meus lábios entre os dentes e esfregou a cabeça rosada do membro pela minha entrada, forçando-a até que ela começasse a escorregar para dentro de mim.
- Maldição... Isso é muito gostoso – gemi quando ele me invadiu, sugando forte o seu lábio inferior.
- Você é tão apertada, Tess... – ele rosnou, enfiando o rosto no meu pescoço. – Deixe-me fodê-la até o fundo... – gemeu e começou a empurrar o quadril para frente, alcançando-me tão longe quanto poderia.
Tê-lo me preenchendo por completo era uma das melhores coisas que eu já havia sentido na vida e eu estava quase gozando com as suas investidas cada vez mais ritmadas. O orgasmo tão próximo era uma necessidade, uma súplica, um desespero tão grande que chegava a doer. Soltei um alto grito e me agarrei a Michael com as unhas, descendo-as com força pela sua pele clara até ver uma gota de sangue escorrer pelas suas costas. Meu corpo inteiro tremeu e minha intimidade apertou Michael dentro de mim, molhando-se completamente com os jatos quentes que escapavam deliciosamente pelo seu membro pulsante.
Aproximei a boca de Michael da minha e ele me beijou intensamente, retirando-se devagar de dentro de mim. Tentei regular a minha respiração e apoiei a cabeça em uma das almofadas do sofá, observando o suor que escorria da testa de Michael.
- Eu não imaginei que você tinha algo tão grande e tão gostoso no meio das pernas – eu disse para ele com um pequeno sorriso. Observei as suas costas e limpei com o polegar o filete de sangue que escorria pela enorme marca vermelha feita pelas minhas unhas que descia do pescoço até perto do quadril. – Que droga... Eu te machuquei.
Ele me beijou e balançou a cabeça negativamente.
- Não foi nada. Vamos para o quarto, devemos continuar de onde paramos.
Eu sorri para ele e assenti satisfeita.
- É um convite muito interessante.
Ele levantou-se e me puxou para os seus braços, com o membro tão ereto quanto antes mesmo após o orgasmo.
- Isso não é um convite, Therese – murmurou com as sobrancelhas arqueadas, enquanto me apertava forte em seus braços. Sorriu e fez um pequeno gesto com a cabeça enquanto completava: - É uma ordem.
Capítulo 4
O espaçoso quarto de Michael era quase todo decorado em preto, cinza e branco. Ele me beijou quando atravessamos a porta e levou-me em direção à enorme cama, empurrando-me demoradamente para trás até que as minhas costas repousassem sobre o colchão. Seus olhos tão negros e tão expressivos estavam fixos em mim, analisando o meu rosto com atenção, parecendo revirar a minha alma a procura de algo.
- Há algo de errado comigo? – questionei para ele, apoiando a cabeça em um dos travesseiros.
Michael fez um sinal negativo com a cabeça e levou as mãos aos meus seios, desenhando círculos pacientemente em volta dos mamilos rosados.
- Vendo você assim, Therese, nua em cima da minha cama, você parece tão delicada... Tão indefesa – ele disse calmamente. – Se eu já não a conhecesse o suficientemente bem, iria achar que você é uma daquelas mulheres frágeis que adoram filmes de romance e colecionam papel de carta.
Eu gargalhei.
- Delicada, eu? – perguntei sem conseguir deixar de rir pela sua interpretação. - O que te faz pensar assim?
Ele passou as mãos pela minha barriga, acariciando devagar a pele macia.
- Você tem uma aparência bastante vulnerável.
– Para ser franca, Michael, eu jamais enxerguei o lado lírico e romântico da vida. Essas bobagens tediosas não fazem o meu estilo.
Ele parecia cada vez mais interessado no rumo da conversa.
- Tenho que lhe perguntar algo. Mas não ache que é uma curiosidade sem sentido, apesar de esse assunto fugir completamente do nosso contexto.
- Okay. Pergunte.
- Você já se apaixonou por alguém?
- O que isso tem a ver? – perguntei entrelaçando as nossas pernas.
- Não sei ao certo. Você demonstra ser tão centrada e metódica. Não deve se apaixonar com facilidade.
Refleti por alguns instantes.
- Essa noção poética de amor e paixão é uma das coisas mais idiotas que já inventaram – respondi simplesmente. – Só os fracos se apaixonam.
Michael absorveu minhas palavras e um vinco se formou em sua testa.
- Você pensa diferente da maioria das mulheres. Esse seu frio ponto de vista quer dizer que você tem um coração de pedra?
Inclinei-me para frente e o beijei.
- Não. Ele quer dizer que talvez eu nem tenha um coração. – Afastei as pernas e passei os dedos pela parte interna das minhas coxas: - Mas para quê se preocupar com o meu coração enquanto eu tenho algo muito mais interessante bem aqui esperando por você?
Ele mordeu o lábio e inclinou-se na direção do meu corpo.
- Diga-me como você quer que seja.
Coloquei os meus cabelos em suas mãos e olhei nos seus olhos.
- Segure-me por aqui e puxe o mais firme que puder – pedi, passando os lábios pelo seu pescoço. – Eu quero sentir você me fodendo tão forte quanto acabou de fazer naquele sofá. Isso, sim, faz o meu estilo.
O seu membro latejou e ele cheirou os meus cabelos.
- Eu também desejo isso – murmurou ao meu ouvido. – Vou fodê-la tão duro que certamente você ficará sem voz por alguns minutos. – Empurrou-me novamente contra o travesseiro. - Mas não vamos apressar as coisas. Quero conhecê-la de todas as maneiras possíveis. Talvez isso me ajude a desvendá-la.
- Eu sou um enigma para você, Michael?
Ele balançou a cabeça positivamente.
- É. Mas não se preocupe, baby. Eu logo saberei o que você esconde de mim.
- Gostaria de ler os meus pensamentos? – perguntei.
- Eu adoraria.
Passei os dedos pelo seu queixo.
- Posso dizer em voz alta para você o que a minha mente erótica está pensando nesse exato momento.
Ele sorriu.
- Sinta-se à vontade.
- Estou pensando no quanto os seus lábios são apetitosos, bonitos e bem desenhados.
- Eles também são bastante habilidosos – ele disse e desceu a boca pela minha barriga, fazendo todo o meu corpo se arrepiar. Acomodou-se lentamente no o meio das minhas pernas e esfregou os lábios pelo meu clitóris. Eu estremeci abaixo do seu corpo e ele sorriu. – Está vendo? Eu mal comecei e você já está de contorcendo.
- God... Isso é muito bom... – eu disse apertando os olhos, mordendo o canto dos lábios. – Vamos, Jackson, continue.
Michael separou os grandes lábios com os dedos e passou a língua sobre eles, sugando o clitóris e massageando a minha entrada com a ponta das unhas. Penetrou-me com três dedos e começou a movê-los pela parede interna da vagina, riscando círculos completos bem lá no fundo.
Agarrei a cabeceira, sem conseguir conter os gemidos cada vez mais altos e enfiei as unhas nos cabelos de Michael quando comecei a atingir o orgasmo. Relaxei um pouco mais as pernas e enfiei as unhas nos cabelos de Michael, gemendo quase sem voz o seu nome. Finquei os dentes nos lábio inferior para conseguir sufocar um grito e meu corpo inteiro começou a vibrar por dentro. Minha intimidade retesou na boca de Michael e eu levantei a cabeça a procura de ar, com os cabelos loiros bem mais bagunçados do que o habitual.
- Você sempre tem que ver sangue quando chega ao orgasmo? – Michael perguntou com um sorriso divertido nos lábios, saindo do meio das minhas pernas e inclinando-se sobre mim.
- Claro que não – respondi mais rápido do que o necessário. – Qual o motivo da pergunta?
Ele apontou para a minha boca, colocando-se de joelhos na cama. Passei dois dedos por cima dos lábios e senti uma leve ardência no local onde eu havia prendido os dentes.
- Merda – praguejei, passando o pulso pela boca. – Saiba que a culpa foi toda sua.
- Minha? – ele perguntou com um sorriso baixo, virando-me de bruços e puxando-me para trás até que eu me posicionasse de quatro.
- Toda sua – repeti, enquanto ele passava o membro duro pelas minhas nádegas. – Você está me fazendo gozar tão gostoso! Maldição, você é muito bom no que faz.
Michael abriu um sorriso pervertido e levou os dedos até as minhas pernas, abrindo-as um pouco mais. Passou as mãos pelos meus ombros e agarrou os meus cabelos com firmeza, puxando-os para trás até que um alto gemido escapasse da minha garganta.
- Gostaria de apanhar um pouco, Therese? – perguntou com a boca no meu ouvido, passando uma das enormes mãos pela minha bunda.
Apertei o travesseiro com os dedos e senti o meu clitóris tremer. Definitivamente, eu odiava ficar tão submissa ao ponto de deixar um homem comandar tanto a situação. Mas com Michael, estava sendo completamente diferente. Eu estava adorando tê-lo no controle, por mais que detestasse admitir isso para mim mesma.
- Só de você – eu disse quase sem voz, sentindo que ficaria maluca se não sentisse de uma vez por todas o peso das suas mãos. – Bate, Michael.
Ele colocou a cabeça do seu membro na minha entrada e me deu uma mordida nas costas, deixando a marca arredondada dos seus dentes na minha pele. Segurou os meus cabelos com força e levantou uma das mãos, soltando-a com firmeza enquanto começava a se empurrar para dentro de mim. Um alto barulho estralado ecoou pelas paredes do quarto e apertei os olhos, implorando que ele batesse mais vezes e fosse mais rápido.
O atrito da mão de Michael contra a minha pele ardia, doía tanto que o meu sangue parecia vibrar dentro das veias em torno das minhas nádegas. Mas quanto mais ele batia, mais tesão eu sentia e, consequentemente, mais prazer ele me proporcionava.
Michael jogou a cabeça para trás e puxou o ar pelos dentes, empurrando o quadril para frente enquanto os nossos corpos se chocavam um contra o outro. Gemíamos tanto e tão alto que provavelmente os vizinhos dos andares de cima e de baixo iriam conseguir ouvir a nossa voz, a menos que o apartamento tivesse um ótimo revestimento especial para fazer o bloqueio sonoro. Quando o orgasmo nos atingiu, intensificamos ainda mais os movimentos e os gemidos tornaram-se ainda mais altos, enquanto nossos corpos suados e ofegantes desfrutavam daquele delicioso momento em completa sintonia.
Após terminarmos, tomei um banho enquanto Michael bebia uma taça de vinho na sala e, por conta do horário tão avançado, ele não me deixou ir embora. Dormimos juntos na sua cama, com mãos e pernas imprudentemente entrelaçadas, na primeira vez que eu me permiti passar uma noite inteira ao lado de um homem.
Capítulo 5
Quando acordei na manhã seguinte Michael ainda estava dormindo tranquilamente ao meu lado. Olhei a hora no relógio, saltei da cama com cuidado para não acordá-lo e segui para o banheiro. Arrumei os cabelos em um desajeitado rabo de cavalo, lavei o rosto, e na falta da minha escova de dentes acabei usando a de Michael. Voltei para o quarto e comecei a procurar as minhas roupas, mas logo lembrei que elas estavam jogadas por algum lugar no chão da sala. Abri o armário de Michael, retirei de dentro dela uma fina camisa branca de botões e a vesti sem usar calcinha por baixo. Segui para a cozinha e abri a geladeira à procura de algo para o café da manhã, afinal de contas, após uma noite tão cheia de sexo eu estava morrendo de fome.
- Bom dia, Therese – ouvi a voz de Michael dizer na porta da cozinha alguns minutos depois. Ele estava muito sexy... Enrolado em um roupão preto, com os cabelos molhados ondulados na altura dos ombros. – Eu não sabia que você ainda estava aqui.
- Estava fazendo omelete – eu disse para ele, apontando para a frigideira recém saída do fogão. – E eu não iria embora sem antes me despedir de você.
Ele aproximou-se da mesa e puxou uma cadeira para se sentar.
- O aroma está muito bom – murmurou quando estiquei um prato para ele. Analisou-me com atenção e pegou um garfo. – Pelo que vejo, você andou mexendo nas minhas roupas.
Desci os olhos até a camisa branca e também me sentei.
- Eu ainda preciso procurar o meu vestido e não queria ficar circulando nua pela casa – expliquei. – Espero que você não se importe.
Michael balançou a cabeça negativamente e deu uma garfada na omelete, levando-a até a boca.
- Não há problema. A minha camisa ficou ótima em você.
Abandonei a omelete no meu prato sem nem tocá-la direito e levantei-me novamente, dando a volta na mesa e sentando-me com as pernas abertas no colo de Michael, virada para ele.
- O melhor de tudo, baby, é que não estou usando nada por baixo dela.
- Essa é uma ótima forma de começar o dia – ele disse passando as mãos nos meus seios por baixo da camisa.
Michael me beijou e abri o seu roupão.
Mordi o seu lábio e peguei o seu membro já ereto entre as mãos. Posicionei-o na minha entrada e desci pela sua extensão, levando-o para dentro de mim. Michael sufocou os meus gemidos com a boca e segurou a minha cintura, guiando-me para baixo em movimentos de vai e vem. Seus dedos começaram a se mover pelo meu clitóris e eu relaxei nos seus braços minutos depois, chegando ao orgasmo e trazendo-o comigo.
- Tão gostosa – ele disse ao meu ouvido quando regulou a respiração. – É uma pena que eu tenha que ir para o escritório.
Dei um demorado beijo nos seus lábios e levantei-me do seu colo.
- Eu também tenho que ir trabalhar. Mas antes preciso passar em casa para trocar de roupa e pegar as chaves.
- Eu levo você – ofereceu.
Eu sorri e assenti.
- Tudo bem. Vou procurar a minha roupa e os meus sapatos – eu disse dando uma piscadela para ele.
Ele beijou meus lábios mais uma vez e ajeitou o roupão em torno do corpo.
- Eu também vou me trocar, volto em um minuto – disse para mim antes de ir em direção ao quarto.
* * * * *
Apenas alguns minutos depois eu e Michael já estávamos devidamente vestidos, saindo juntos do seu apartamento. Demos alguns passos até o elevador e esperamos que a porta de metal se abrisse.
- Eu acho que já estou atrasado – Michael disse olhando para o relógio. – Tenho uma reunião importante, espero que o trânsito colabore.
Quando a porta do elevador se abriu, uma mulher morena saiu de dentro dele, segurando algumas sacolas de supermercado. Ela alta, bonita e cheia de curvas, aparentando ter pouco menos de 30 anos. Pensei que Michael iria se apressar em descer, mas, por algum motivo que não consegui captar de primeira, ele ficou parado exatamente onde estava.
- Bom dia, Michael – a mulher disse quando o viu.
Ele deu um sorriso – um sorriso largo e extremamente amistoso - e fez um aceno com a cabeça.
- Bom dia, Melodie – respondeu. – Como está você?
- Eu estou bem! – murmurou ela com um sorriso nos lábios.
- Como está indo o trabalho? – Michael perguntou com interesse.
- Cada dia melhor... – ela disse. – Agradeço muito pela sua ajuda. Se não fosse por você, talvez o diretor não tivesse me dado uma chance.
- O mérito é todo seu – Michael murmurou. – Só dei um telefonema... Era o mínimo que eu poderia fazer.
Pigarreei de leve, sentindo-me perdida no diálogo, e a mulher olhou para mim, parecendo um pouco desconfortável de repente.
- Therese, essa é Melodie Simpson – Michael apresentou quando o silêncio se fez, como se o nome dela me causasse algum interesse.
- Senhora ou senhorita Simpson? – perguntei esticando uma das mãos para ela.
- Senhorita – ela respondeu, e ao apertar a minha mão vi que ali não havia nenhuma aliança.
“Mais uma das vacas que o Michael leva para a cama” uma voz cantarolou na minha cabeça.
- É um prazer conhecê-la – eu disse mesmo de mau gosto.
- O prazer é todo meu – a mulher respondeu. – Bom, eu tenho que ir. Daqui a pouco tenho que estar no hospital.
- É médica? – perguntei.
- Não, sou enfermeira.
- Hum, interessante – eu disse sem conseguir disfarçar o tédio da voz. Olhei para o relógio. – Você também não está atrasado? – relembrei para Michael.
- Sim, eu estou – murmurou ele com relutância. – Até mais, Melodie.
A mulher abriu um sorriso e deu um tchauzinho para nós dois.
- Até mais.
Desfiz o sorriso mentiroso dos lábios e revirei os olhos quando ela se virou e começou a caminhar no corredor em direção a um dos apartamentos. Eu e Michael entramos no elevador e a porta à nossa frente deslizou até se fechar.
- Eu não sabia que você tinha um lado tão simpático e cavalheiro.
- Eu já havia dito que tenho muitas qualidades que você ainda não conhece – ele respondeu com um sorriso, apertando no painel eletrônico o botão que nos conduziria até a garagem no subsolo.
- Não me diga que você também anda comendo a sua vizinha?! – questionei com as sobrancelhas levantadas. – Sem brincadeira, isso parece um clichê daqueles filmes pornôs de quinta categoria.
Ele gargalhou.
- Não é nada disso – corrigiu. – A Melodie é nova na cidade e está em fase de adaptação. Só estou tentando ser prestativo com a garota.
- De onde ela é? – perguntei e a porta do elevador se abriu.
- Detroit.
- Nunca transou com ela? – perguntei sem conseguir acreditar, enquanto caminhávamos até o carro.
- Eu e ela estamos saindo há algumas semanas, mas não passamos da conversa e de algumas taças de vinho – murmurou e parecia estar sendo sincero.
Entramos no BMW preto de vidros escuros e travamos o cinto de segurança.
- Eu pensei que mulher nenhuma resistisse ao seu incrível charme – rebati. – Pelo visto essa Melodie está te fazendo de idiota.
Ele deu a partida e saiu de ré, reposicionando o carro em frente ao portão que levantou automaticamente para permiti-lo sair.
- Acredite, com ela é diferente.
- Diferente... como?
- Ela me entende perfeitamente bem... Temos uma grande sintonia. Nos tornamos bons amigos e eu não quero estragar tudo.
Peguei a bolsa e retirei um espelho de dentro dela.
- Desde quando sexo estraga alguma coisa?
- Desde quando há sentimentos envolvidos – ele respondeu.
Arqueei as sobrancelhas.
- Você gosta dela pra valer?
- Não faça perguntas difíceis, Therese – Michael desconversou. – Ahm, eu preciso do seu endereço.
Olhei-me no espelho e disse para mim mesma que eu era muito mais bonita e atraente do que a tal de Melodie.
- Tess, preciso do endereço – ele repetiu, recobrando a minha atenção, mas eu estava perdida nos meus próprios pensamentos.
- Você me acha sexy? – perguntei para Michael.
- Eu estaria cego ou louco se dissesse que não. Você é extremamente sexy e sabe bem disso – ele respondeu. – Agora posso saber para onde devo levá-la?
- West Century Boulevard 7467 - eu disse guardando o pequeno espelho de maquiagem na bolsa outra vez.
- Segure-se, baby, porque agora eu vou pisar fundo – ele avisou com um risinho assim que pegamos uma longa avenida.
“Maldição” pensei comigo mesma. “Os peitos dela são maiores do que os meus e ela tem uma pele tão bronzeada...” analisei com uma súbita irritação observando a minha pele pálida. “Melodie. Que nome ridículo!”
- Michael, eu quero um orgasmo... – eu disse para ele, sentindo uma súbita excitação tão grande que fazia a minha intimidade doer. Ele me encarou incrédulo e eu completei: - Agora.
- Aqui? – perguntou sem parar de acelerar, entrando na contra mão para chegar mais rápido. – Tess, estamos cruzando a avenida mais importante da cidade.
- Eu preciso – murmurei quase em uma súplica, colocando uma das pernas no painel do carro. – Você tem que me fazer gozar.
Michael riu e tirou uma das mãos do volante, ainda em alta velocidade. Enfiou a mão por baixo do meu vestido e colocou a minha calcinha para o lado, começando a massagear o meu clitóris.
Joguei a cabeça para trás e fechei os olhos ao sentir os seus dedos se moverem em mim. Comecei a gemer alto, pedindo que ele fosse mais rápido. Michael não havia decidido se ficava com os olhos na estrada ou com os olhos em mim. Pela expressão pervertida no seu rosto dava pra perceber que ele adorava dar prazer dessa forma pra uma mulher.
Um ônibus escolar surgiu à frente do carro e buzinou alto, fazendo Michael manobrar rapidamente e voltar ao seu lugar na pista. Eu me contorci sobre o banco e agarrei o seu pulso com uma das mãos, enfiando as unhas sem piedade na pele dele. A minha intimidade estremeceu e senti uma onda quente se espalhar rapidamente por todo o meu corpo.
- Isso... Goza bem gostoso nos meus dedos, baby – Michael incitou com a voz rouca, sem parar de me masturbar.
Apertei as pálpebras, sem conter os gemidos, e depois de gozar afrouxei as unhas no seu pulso. Michael moveu os dedos devagar por mais duas vezes e os retirou do meio das minhas pernas, enquanto eu voltava a me sentar da forma correta.
- É um milagre ainda estarmos vivos – Michael comentou rindo. – Por Deus, você só pode ser louca!
- Gosta de mulheres loucas? – perguntei para ele.
- São as minhas preferidas – ele disse para mim e nós dois rimos.
- Já disseram que os dedos são perfeitos? – comentei. – Você tem uma mão linda e muito sexy.
Ele fixou as mãos no volante.
- Hoje à noite elas estarão apertando você por todos os lugares – ele murmurou. – A não ser que você não queira, claro.
- Claro que eu quero! – eu disse.
Michael sorriu.
- Eu realmente adorei a noite que passamos juntos. Quero muito tê-la outra vez – disse, parando o carro em frente ao enorme prédio branco que se destacava por entre as outras construções da rua.
- Estarei esperando por você – eu disse para ele. - Apartamento 347, décimo terceiro andar.
Ele assentiu me deu um demorado e delicioso beijo na boca.
- Perfeito. Estarei aqui por volta das nove – avisou, assim que nossos lábios se separaram.
Capítulo 6
Troquei de roupa ao chegar em casa e duas horas depois eu estava levando uma bronca do meu chefe por ter chegado atrasada no escritório. Peguei meia dúzia de pastas para reavaliar o andamento de um processo e fui para minha sala, mas Michael simplesmente não saía da minha cabeça, impedindo-me de trabalhar direito. Tirei o espelho da bolsa e olhei o meu reflexo nele, ajeitando os cabelos loiros e retocando o batom vermelho. “Estou contando as horas para o nosso próximo encontro, baby” falei comigo mesma, rindo e recostando-me na cadeira.
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Residência dos Brown, Seattle, 20 anos antes.
A garotinha de olhos claros estava sentada na grama do jardim, de vestido rodado e passadeira nos cabelos, sorrindo para o homem bem apessoado que estava sentado ao seu lado. O homem passou as mãos pela sua perna e começou a distribuir cócegas pelo seu corpo, fazendo-a cair suavemente de costas na grama, quase engasgando de tanto rir.
- Eu te amo, papai – ela disse para ele quando parou de sorrir. Jogou-se nos seus braços e pôs a cabeça no seu colo.
- Eu também te amo, querida – ele respondeu acariciando os seus cabelos.
A alguns passos dali, uma mulher alta de traços fortes observava o marido e a filha com absoluta atenção. Arqueou as sobrancelhas e respirou fundo, saindo dali poucos minutos depois sem fazer barulho.
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Eu estava enrolada em uma toalha branca quando ouvi a campanhia do apartamento tocar por duas vezes seguidas. Conferi o relógio na parede e praguejei comigo mesma por ter perdido a noção do tempo, irritada por não ter conseguido me arrumar a tempo de esperar pelo meu visitante. Caminhei até a porta apressadamente e a abri, dando de cara com Michael do lado de fora. Ele me olhou de cima a baixo e não disfarçou a satisfação em me ver sem roupa.
- Boa noite, Jackson – eu disse com um sorriso, segurando a toalha para mantê-la fixa ao corpo. – Você está um gato – murmurei ao descer os olhos pela sua roupa; composta por calça preta, camisa branca com gola em V, jaqueta escura e chapéu fedora.
Ele riu e me deu um beijo nos lábios.
- Você já começou a tirar a roupa sem mim? – perguntou com bom humor.
- Eu acabei de chegar do escritório – expliquei, abrindo espaço para que ele pudesse entrar. – Fiquei presa no trânsito e foi um inferno. Eu não queria que você me encontrasse nesse estado – lamentei.
- Qual a importância das roupas? – ele perguntou passando os dedos pela minha nuca. - Iremos tirá-las de qualquer jeito!
Abri um sorriso e estendeu para mim uma garrafa de whisky.
- Eu pensei em trazer flores... Mas acho que uma boa bebida combina muito mais com você.
- Muito melhor assim – murmurei, rindo e pegando a garrafa. - Eu não preparei nada para nós, mas podemos pedir algo pelo telefone se você estiver com fome. Conheço um restaurante japonês onde a comida é estupenda. Tenho certeza de que você iria adorá-la.
- Não é necessário – recusou. – Eu não estou muito a fim de comer.
- Hm... Tem certeza? – perguntei dando uma leve mordida no lábio.
Gargalhamos quando ele captou a malícia presente na minha pergunta.
- O que você tem a me oferecer, Therese, é muito mais apetitoso do que comida japonesa, tenha absoluta certeza.
Eu ri para ele e dei outro beijo nos seus lábios.
- Vou para o banho, okay? – eu disse pegando um controle remoto ao lado do abajur e colocando em suas mãos. - Ligue a TV e se distraia, baby, volto em alguns minutos.
Ele assentiu e sentou-se no sofá, começando a surfar pelos canais a procura de algo interessante, enquanto eu seguia na direção do banheiro.
Depois do banho, fui para o quarto e vesti uma lingerie de renda preta com transparências que Michael certamente iria adorar. Enfiei-me em um vestido de tecido fino, soltei os cabelos, passei delineador nos olhos e batom escuro nos lábios antes de voltar para sala.
- Voltei – anunciei, aproximando-me do sofá com dois copos de whisky nas mãos. Dei um dos copos para Michael e bebi um gole do outro, sentando-me ao seu lado no sofá. Um filme em preto e branco que não consegui identificar passava em algum canal da TV à nossa frente.
- Vi a enorme e bem organizada coleção de filmes que você tem ali – ele disse apontando para a estante. – Todos são clássicos do terror e do suspense. Impressionante!
- Tenho um encantamento especial pelos filmes de Stephen King e Alfred Hitchcock – confessei. – Sempre saio pela cidade a procura de raridades para aumentar a coleção.
- Por que você gosta tanto desse tipo de filme? – Michael perguntou com curiosidade.
- Porque me divirto muito com a expressão que os personagens fazem quando são assassinados – respondi com sinceridade. – É engraçado vê-los correndo e entrando em desespero, tentando escapar do inevitável. É como um labirinto. Quanto mais eles fogem, maiores são as chances de serem pegos.
- Você tem um gosto muito peculiar, Therese – Michael comentou bebendo o whisky. - Eu prefiro as comédias. Amo os filmes de Charlie Chaplin.
- God... Ele era retardado!
- Ele era um verdadeiro gênio! – Michael defendeu.
- Meu pai era um grande fã daquele demente – relembrei. – Até se encontrou com um dos filhos dele certa vez.
- Sério?! – ele perguntou com entusiasmo.
- Sério! Ele exibia a foto que tiraram juntos como um troféu. Gostaria de vê-la? Talvez você consiga me explicar o que torna aquela porcaria tão interessante.
Michael balançou a cabeça positivamente e me levantei, puxando-o pelas mãos e guiando-me até o meu quarto. Bati a porta quando entramos e agachei-me diante do criado-mudo, revirando um amontoado de papéis dentro de uma das gavetas até encontrar a fotografia em que dois homens altos sorriam para a câmera.
- Veja que coisa mais ridícula – eu disse rindo, esticando a foto para Michael.
Michael pegou a fotografia, a analisou calmamente, e levantou os olhos até fitar o meu rosto novamente.
- Espera aí... Eu o conheço – ele murmurou com surpresa.
- Acho que o nome dele é Christopher – murmurei sem dar muita importância. – Ele é um dos filhos mais novos de Charlie.
Michael balançou a cabeça negativamente.
- Falo do outro homem... - corrigiu-me. – Oh Deus, Therese! – murmurou como se estivesse feito a maior descoberta do século – Esse é cara aqui é Donald Brown, certo? Não me diga que você é filha do senhor Brown?!
Minhas sobrancelhas se arquearam automaticamente.
- Sou... – eu disse cautelosamente. – Vocês e o meu pai se conheciam?
- Trabalhei para o senhor Brown em Seattle há anos atrás, logo após sair da faculdade – disse olhando a foto novamente. - Eu era jovem, estava no início da carreira, e mesmo assim ele acreditou na minha competência e me deixou responsável por importantes contratos da empresa que ele dirigia – Michael relembrou. – Depois que vim para Los Angeles fiquei sabendo por terceiros que ele e a esposa haviam morrido em um incêndio no chalé onde passavam as férias, deixando uma filha adolescente. Foi uma perda lamentável.
- Eu era a filha em questão. Que coincidência! Quase dez anos já se passaram desde a tragédia – lembrei, ficando distante de repente.
- Eu sinto muito – consolou-me.
- Tudo bem – eu disse, pegando a foto das suas mãos e guardando-a novamente. – Não sou a primeira órfã do mundo e provavelmente não serei a última. – Sorri. – Podemos mudar de assunto?
Michael assentiu e aproximou-se um pouco mais, colocando as mãos em torno do meu quadril.
- Sobre o que você quer falar, baby? – perguntou, passando os lábios pelas minhas bochechas.
Segurei-o pela gola da camisa e chupei lentamente o seu pescoço.
- Não quero falar, Michael, eu quero fazer – respondi afastando as lembranças, empurrando-o para cima da minha cama.
Capítulo 7
Michael abriu um sorriso satisfeito e repousou a cabeça no meu travesseiro, enquanto eu começava a desabotoar a sua camisa. Tirei os sapatos, as meias, a calça e o deixei apenas com a boxer vermelha que cobria o seu membro já excitado. Distribui uma sequência de beijos nos seu peitoral e sentei-me em cima dele, esfregando a minha intimidade no seu membro ainda por cima da roupa. Ele mordeu o lábio e soltou um longo suspiro enquanto tentava se livrar do meu vestido, apertando os meus seios e descendo as mãos pelas minhas costas.
- Hoje o domínio é meu, Jackson – eu disse ao seu ouvido, inclinando-me sobre ele e enfiando uma das mãos na primeira gaveta da mesa de cabeceira próxima à cama para tirar duas algemas de metal de dentro dela.
Dei um longo beijo nos lábios de Michael e, quando ele deu por si, eu já estava prendendo os seus pulsos na cabeceira da cama.
- Quanta provocação, Therese – ele murmurou com um meio sorriso nos lábios, enquanto eu terminava de imobilizá-lo. O seu membro pulsava sob a cueca, implorando para ser libertado logo dali. Passei os dedos lentamente sobre o tecido da boxer e Michael se contorceu devagar. – Tire-o para fora, baby – pediu, apertando as unhas contra as próprias mãos.
- E acabar com o melhor da festa? – perguntei com um sorriso divertido, esfregando a ponta dos dedos pela sua virilha. – Ainda é cedo demais para satisfazer as suas vontades. Sou eu quem manda aqui dessa vez.
Saltei da cama e o contemplei deitado diante de mim, quase completamente nu, entregue a qualquer coisa que eu resolvesse fazer naquele momento. Engatinhei até voltar para cima dele outra vez e chupei o seu lábio inferior, esticando uma das mãos para pegar outro objeto dentro da gaveta.
- Vamos brincar um pouquinho? – perguntei baixinho para ele, puxando da gaveta uma arma prata de metal e apontando-a para ele. Michael me observou e, mesmo tentando se manter impassível diante da minha ação, vi o susto e a surpresa atravessarem o seu rosto. - Qual o motivo do espanto? – perguntei sem conseguir segurar o riso. – Nunca viu uma arma na vida?
Michael desceu os olhos até o cano da arma e levantou uma das sobrancelhas.
- As consequências dessa brincadeira podem ser desastrosas – ele disse para mim. – Guarde essa porcaria novamente antes que um de nós acabe se machucando de verdade.
- Não seja tão rude com a minha amiga – defendi, passando o metal gelado pela pele do seu pescoço. – O nome dela é Pluma e ela não é uma porcaria.
- Espero que ela esteja devidamente registrada, ou você poderá ser presa por porte ilegal de arma de fogo – ele sibilou.
Eu gargalhei.
- Foda-se as leis! As regras são feitas para serem quebradas, não concorda?
- Eu me surpreendo ao ouvir uma advogada falando dessa forma.
Beijei os seus lábios e tentei acalmá-lo.
- Não leve tudo tão à sério. A Pluma só quer um pouco de diversão.
- Que tipo de pessoa coloca um nome em uma arma? – ele questionou.
- As criativas – devolvi. Deslizei o cano da arma pelo seu rosto e a repousei na sua cabeça, bem no meio da sua testa. O sorriso no meu rosto se desfez e fitei Michael com firmeza. – Não sente nem um pouco de medo?
Ele me olhou com indiferença.
- Não. Eu sei que você não atiraria em mim.
Apertei a arma um pouco mais forte contra a sua testa.
- Diga que você tem medo.
- Eu não tenho medo, Therese – reafirmou sem me levar à sério.
Respirei fundo e destravei a arma, voltando a empurrá-la contra a sua cabeça. Olhei no fundo dos seus olhos e levantei as sobrancelhas.
- Nunca me subestime, baby – murmurei com a voz firme, deslizando o dedo indicador pela arma até puxar o gatilho.
Capítulo 8
A arma fez um clique oco e eu gargalhei alto. Michael soltou um longo suspiro e eu voltei a beijá-lo, colocando a arma em cima da mesa de cabeceira.
- A Pluma está descarregada, okay? – eu disse para ele.
- Você é louca, Therese – ele murmurou para mim. Puxou as mãos algemadas e fez um sinal de cabeça para que eu o libertasse. – Solte-me.
Assenti devagar e peguei a chave que destravava as algemas.
- Tudo bem, mas eu ainda não terminei com você – eu disse, soltando-o e arranhando de leve o seu tórax.
Michael mordeu o próprio lábio e eu deslizei a boca pelo seu peitoral, fazendo todo o seu corpo se arrepiar. Ele ainda parecia estar assustado, mas o seu membro continuava rígido sob o tecido da cueca, pedindo em silêncio que eu o libertasse dali de dentro. Retirei a boxer, sem parar de beijá-lo e Michael desceu a minha calcinha, pondo as mãos no meu quadril e guiando-me na direção do seu pênis ereto. Joguei a cabeça para trás e permiti que ele deslizasse para dentro de mim, enquanto Michael começava a me puxar cada vez mais rápido contra o seu corpo.
O único som que poderia ser ouvido no quarto era o dos nossos altos gemidos e dos nossos corpos se fundindo em apenas um. Quando chegamos juntos ao orgasmo Michael apertou as mãos ainda mais forte no meu quadril e inclinou-se até encontrar os meus lábios, dando uma mordida tão forte no meu lábio inferior que por pouco foi ele quem arrancou sangue de mim daquela vez.
Quando o seu membro parou de pulsar dentro de mim eu sorri para ele e deitei-me ao seu lado, beijando os seus lábios com calma para que a nossa respiração pudesse voltar ao normal. Michael apoiou a cabeça no travesseiro e pareceu pensativo e distante por alguns minutos.
- Eu vou desligar a TV e apagar as luzes da sala – eu disse para ele, dando um suave beijo nos seus lábios e saltando da cama.
Ele permaneceu em silêncio, apenas me observando. Fui até a sala e procurei o controle da TV no sofá. Na tela, um casal apaixonado se beijava em um filme que não consegui identificar. Revirei os olhos e a desliguei, apertando o interruptor da luz em seguida e voltando para o quarto. Quando cruzei a porta, vi Michael sentado na cama com a minha arma nas mãos.
- Descarregada? – ele perguntou para mim, gesticulando para o tambor de metal que ele havia aberto.
Havia uma bala encaixada entre cinco espaços vazios.
- Quase descarregada – eu me corrigi.
Os punhos dele se cerraram.
- Que merda você pensou que estava fazendo, Therese?! – bradou. - Poderia ter estourado a porra dos meus miolos nessa cama!
- Que drama desnecessário – retruquei. – Cabem 6 balas aí, mas só tinha umazinha! As chances de você receber um tiro eram mínimas.
Ele me encarou com incredulidade e começou a se vestir.
- Prefiro nem pensar no que poderia ter acontecido – ele murmurou com raiva. – Você é uma maluca, deveria se tratar!
Continuei tão calma quanto antes.
- Não quer dormir aqui? – perguntei.
Ele terminou de calçar os sapatos e abotoar a camisa.
- Nem sei se quero olhar para a sua cara outra vez – ele respondeu, saindo furioso pela porta do quarto.
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Residência dos Brown, Seattle, 14 anos antes.
Os gritos que vinham do quarto ao lado eram altos e perturbadores. A garota loira na cama apertava as mãos com força sobre as orelhas para tentar trazer o silêncio, mas mesmo assim conseguia ouvir a voz alterada da sua mãe:
- Eu não sou cega, Donald! Sei muito bem do que estou falando!
- Cale essa boca, Angeline! Você não sabe de nada!
Ouviu mais alguns gritos e depois o silêncio absoluto reinou no ambiente. Tentou dormir, mas o sono havia se dispersado por completo. Provavelmente a mãe havia se entupido de remédios e conseguido dormir após a discussão. Minutos depois ouviu a porta do seu quarto abrir lentamente e alguns passos se aproximaram da cama. Fingiu que dormia enquanto mãos masculinas começavam a abraçá-la.
- Ah querida... – o homem sussurrou enquanto passava as mãos pelos seus braços.
Pouco depois a sua camisola deslizou até a cintura, deixando seus seios à mostra.
Quando ele saiu do quarto, os olhos da garota estavam cheios de lágrimas. “Você ainda irá pagar muito caro por isso, papai” pensou consigo mesma, secando os olhos com força.
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Capítulo 9
Não entendi por qual motivo Michael saiu do meu apartamento tão irritado. Sério, não havia motivo para tanto drama. Havia mesmo chances de ele ter recebido um tiro, mas isso não aconteceu! Ele estava tão inteiro quanto antes, portanto, por que ficou tão transtornado com uma simples brincadeira?
Na manhã seguinte eu estava no escritório pensando em Michael quando o meu chefe entrou na minha sala com uma pasta preta repleta de papéis nas mãos. Respirei fundo e recobrei a atenção quando vi o senhor de cabelos levemente grisalhos atirar a pasta em cima da mesa.
- Trouxe mais um presentinho para você, Therese – ele disse.
Peguei a pasta e comecei a folhear os papéis.
- Devo fazer uma reavaliação desse processo?
Ele assentiu.
- O caso estava arquivado, mas foi reaberto. Estude-o minuciosamente e encontre as falhas para que possamos montar uma boa defesa para um cliente importante.
Corri os olhos pela primeira folha e vi pesava contra um sujeito porto-riquenho uma acusação sobre importação ilegal de bebidas.
- Verei o que posso fazer.
- O cliente quer dois advogados cuidando disso – ele acrescentou. –Escolha alguém para auxiliá-la. A situação do cara está complicada e duas cabeças pensam melhor do que apenas uma.
- O senhor tem alguém em mente?
- Pensei no Manson – ele murmurou.
O cara em questão era Shad Manson, o maior idiota daquele escritório de advocacia.
- Se não se importar, eu gostaria de indicar outra pessoa.
- Faça o que julgar mais conveniente, Therese – ele respondeu. – Você tem colegas muito competentes aqui, faça a sua escolha.
Ele virou-se na direção da porta e antes que ele saísse, eu o chamei:
- Senhor Harold?
Ele virou-se novamente para mim, com a mão na maçaneta.
- Sim?
- O meu parceiro poderia ser um advogado que não trabalha nesse escritório?
Ele balançou a cabeça negativamente.
- Claro que não! Isso diminuiria os nossos lucros e não seria nem um pouco inteligente.
- Posso tirar do meu próprio bolso para pagar os honorários dele – propus. - O que o cliente pagar para o segundo advogado ficará para o escritório. O senhor irá ficar com a parte inteira da grana, e não apenas com uma porcentagem.
- Por qual razão você faria essa maluquice? – questionou com dúvida.
Cruzei as pernas e fechei a pasta.
- Porque eu quero Michael Jackson nesse caso.
Suas sobrancelhas se levantaram
- Sei quem ele é. É um filho da mãe muito esperto. E muito caro, por sinal. Já ouvi dizer que ele não abre mão de trabalhar sozinho. Por qual razão ele aceitaria cuidar desse caso com você?
- Porque eu o conheço bem e ele não me negaria isso – respondi. – Tenho muito a aprender com ele. Ele é muito experiente.
O meu chefe balançou a cabeça positivamente e deu de ombros.
- Faça como achar melhor, Therese. Eu só não quero sair perdendo - ponderou. - Por isso, é bom que você saiba de verdade o que está fazendo – aconselhou com a expressão fechada, antes de abrir a porta e sair da sala.
* * * * *
No fim do dia saí mais cedo do trabalho e segui para o escritório de Michael. Agora eu tinha a desculpa perfeita para me encontrar com ele após o seu surto dramático da noite anterior.
Minutos após ter sido anunciada pela sua secretária eu fui autorizada a entrar na sala onde nos vimos pela primeira vez.
- O que faz aqui, Therese? – Michael perguntou quando parei diante da sua mesa.
- Ainda está irritado comigo? – foi a primeira coisa que perguntei.
- Você quase me matou – ele relembrou. - Como quer que eu esteja?
Sentei-me em uma poltrona diante dele e cruzei as pernas.
- Vamos esquecer aquele pequeno incidente, está bem? Eu estou aqui porque tenho uma proposta para lhe fazer.
Ele arqueou as sobrancelhas.
- Qual proposta? Enfiar uma bala na minha cabeça?
Revirei os olhos.
- Até quando você vai me encher o saco por conta disso? Eu já disse que foi apenas uma droga de uma brincadeira!
Ele inclinou-se sobre a mesa e juntou as mãos.
- Economize as explicações e diga logo o que veio fazer aqui – apressou-me, fitando-me com firmeza.
- Eu gostaria de ter a sua ajuda na reavaliação de um processo – comecei a dizer. - Você é mais experiente do que eu e preciso de um parceiro nesse caso. Logo pensei em você.
- Sinto muito, mas eu não trabalho em parcerias – ele respondeu.
- Eu seria uma parceira excepcional – sussurrei para ele.
- Não estou interessado. Prefiro ficar longe de você.
- Tem certeza? – perguntei, levantando-me e dando a volta na mesa até me sentar no seu colo. Passei as unhas pela sua nuca e senti seu corpo se arrepiar. – Esqueça o que aconteceu ontem. Não irá se repetir, eu prometo.
- Eu vou ser bem remunerado? – ele perguntou com um tom nitidamente malicioso.
- Vai – afirmei, descendo as mãos pela sua gravata. – Tanto financeiramente... – Mordi o seu lábio inferior e passei uma das mãos pelo seu membro por cima da calça: – Quanto sexualmente.
Ele fitou os meus lábios tão próximos aos seus e me deu um demorado beijo. Olhou para cima quando nossos lábios se separaram e voltou a me encarar, naquela expressão de quem odeia dar o braço a torcer.
- Está bem – ele disse por fim. – Vamos marcar uma reunião para que você possa me explicar sobre o andamento do caso.
Eu sorri e beijei de leve o seu pescoço.
- Prometo que vou explicar tudinho pra você... – eu disse, começando a desabotoar a sua camisa. – Mas vamos deixar isso para depois. Agora, temos assuntos muito mais urgentes tratar – murmurei enquanto fitava os seus olhos, desfazendo o nó da sua gravata.
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